Cronistas Paulistas

"…desespero, o enorme sino reboava, acordando a noite, enchendo a treva de um clamor de desgraças e de delírio." (Dentro da Noite – João do Rio). Paulo Barreto, o João do Rio, escrevia assim, de uma forma um tanto mórbida, sem demonstrar jamais a leveza que seu heterônimo sugere, mas escrevia basicamente sobre a sua cidade, o Rio, e este Rio leve cantado em verso e prosa é mítico; o Rio verdadeiro está nas crônicas policiais. Paulo Barreto ia por aí.

Assim como o Rio, que teve também o grande Lima Barreto (deixo claro que não estou comparando os dois. João do Rio é fantástico, mas Lima Barreto é genial!), toda cidade tem seu cronista – ou seus cronistas, dependendo ou do tamanho ou da efervescência cultural desta cidade – São Paulo, como este site mostra, tem vários. Há aqueles mais famosos, estilo João Rubinato, que fazia crônicas musicais, Plinio Marcos, Alcântara Machado e outros menos conhecidos, todos de uma importância inegável porque eternizam um momento através de suas crônicas e crônicas são flashes, são instantâneos, portanto, para a eternização deste momento, que em essência é fugaz, há que se ter uma precisão fotográfica.

A melhor maneira de conhecer uma cidade – exceto flanar por ela, talvez – é através das crônicas que esta cidade inspirou. É uma maneira magnífica de conhecê-la, consistente porque traz a visão de quem olhou e soube ver.

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