Curso Anglo Latino da Tamandaré

Nos anos 60 quantos engenheiros e profissionais que cursaram o ITA, Poli, FEI (Pucsp), Mauá, São Carlos, Mackenzie e Faculdades em outros estados, passaram pelo Anglo da Tamandaré no bairro da Liberdade em São Paulo.

Professores como Emilio Gabriades, Cid Guelli, Simão Faiguenboim, Carlos Marmo, Abram Bloch, Feltre entre outros nos marcaram através dos seus conhecimentos e da inovadora metodologia de ensino.

Cursar o Anglo com seriedade era a garantia de passar no vestibular nas conceituadas faculdades acima mencionadas. As "provas simuladas" já nos preparavam e nos faziam sentir o clima do vestibular que nos aguardava.

Normalmente, enquanto estudávamos no terceiro Científico (hoje seria o último ano do colegial) a matrícula no Anglo era a opção da maioria dos vestibulandos, inclusive grande parte vindo do interior. Ao redor, no bairro da Liberdade, proliferavam as repúblicas e apartamentos alugados por eles.

Não era fácil conciliar o científico, cursinho e namoro em um ano pleno de responsabilidade e desafios. Tudo era recompensado, quando após o anúncio dos resultados classificatórios dos vestibulares que eram afixados no próprio Anglo (as provas eram isoladas por faculdade), já sofríamos o nosso primeiro trote por veteranos presentes, com o nome da faculdade estampado na testa.

Sem dúvida os aprovados que vinham com as letras ITA e Poli "esnobavam" dos outros e não precisavam dizer nada, pois o resultado do esforço estava estampado. A gente notava a satisfação dos professores presentes com os bons resultados obtidos e o aconselhamento para aqueles que não tinham passado no vestibular.

O professor Cid Guelli me marcou pessoalmente. Ensinava álgebra, com sua voz rouca (de fumante), diziam que tinha cursado o curso de magistério (Curso Normal na época), mas isto pouco importou. A sua didática era excepcional e soube ensinar matemática como poucos. Anos depois eu dava aulas de matemática sem o uso de fórmulas, boa parte graças aos ensinamentos do professor Cid.

As aulas no cursinho eram divertidas, graças aos recursos especiais de memorização de fórmulas de Química e Física com frases e abreviações, algumas inventadas por nós mesmos. Como exemplo, cito uma frase minha para decorar alguns dos elementos Bi-Valentes em Química: Hoje Li Na Kourant (jornal em Francês) Roubo "Censacional" de Ouro Prata . . . Os elementos saiam da frase e eram: Hidrogênio, Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio, Ouro, Prata. . .

Foi um ano duro, mas valeu a pena, nos fez acreditar na gente mesmo, no nosso potencial, no valor do estudo para a vida, e valorizar a família que nos incentivava (e cobrava), sem contar de amigos que fizemos e que perduram até hoje passados quase 50 anos.

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