Revivendo memórias dos tempos de menina, quando vivi em São Paulo, lembrei-me de uma passagem, penso que digna de registro.
Fazia apenas dois meses que estava morando na cidade, quando a lista de materiais escolares foi apresentada pela professora do quarto ano do Grupo Escolar Rodrigues Alves. Minha avó paterna, que nos ajudava bastante e morava conosco, logo prontificou-se em ir comprar comigo os materiais.
Lembro-me nitidamente da relação que constavam materiais que nunca havia conhecido. Dentre vários deles estava a coletânea de leitura, “Desenhocop”, tinteiro, caneta tinteiro e também uma caixinha para trabalhos manuais. Fiquei curiosa com tais novidades e também com a caixinha, pois eu iria aprender a bordar, o que minha avó vibrou, já que fazia isto divinamente.
E lá fomos nós duas depois das aulas tomar um ônibus para chegar à papelaria e livraria que nos indicaram. Nosso itinerário era o Paraíso. Só sei dizer que a tarde foi caindo e não conseguíamos chegar ao nosso destino…
Paramos em Santana, Jardim Pedreira e outros bairros que já não me lembro. Penso que entramos no ônibus errado e sei que percebi lágrimas nos olhos da vovó. Finalmente, à noitinha, chegamos ao Paraíso e a papelaria estava quase fechando… Escolhemos tudo e até hoje guardo a caixinha de costura.
Com a indicação das pessoas, tomamos um ônibus e descemos na Avenida Brigadeiro Luís Antonio. Quando chegamos em casa, no Bixiga,encontramos minha mãe no portão já bem aflita pelo horário. Esta passagem ficou marcada em minha existência e ainda posso lembrar-me de como segurava a mão da vovó e perguntava:
– “Quando iremos chegar ao Paraíso?”
O bairro bonito, arborizado, com praças, prédios e lojas ficou registrado como uma foto em meu álbum de lembranças…
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