A primeira morte que eu vi

Esta história aconteceu em 1952, eu tinha somente 12 anos de idade. Morava na Rua da Consolação, nº 2717, quase esquina com a Alameda Jaú, no Jardim América. Na época quase não tinha trânsito na rua; nós crianças brincávamos de jogar futebol, pegador, pula-cela, etc., já começava a serem construídos os grandes edifícios no bairro dos Jardins: prédios comerciais e residenciais, na esquina da Av. Paulista, com a Rua da Consolação, tinha acabado de ficar pronto o Edifício Anchieta, era um prédio de propriedade do Inss, era uma beleza de edifício, com partes comerciais na parte da entrada, salões de beleza, bares, boates, lojas, etc. Era uma novidade na época, tinha mais de cem apartamentos residenciais.<br><br>Era o prédio da moda, mas, certo dia, quis o destino que acontecesse uma grande tragédia. Uma empregada doméstica, ao lavar a janela do apto., escorregou e caiu do 12º andar, se estatelando na calçada da avenida. A notícia correu logo em todo o bairro e nós, crianças inocentes, corremos para ver a empregada morta no chão da avenida, foi uma cena muito triste, ela estava em uma poça de sangue, com a cabeça toda estourada, fiquei olhando para a morta e pensando nos seus familiares (apesar de eu ter 12 anos), se ela tinha filhos, como seria triste dar a notícia da sua morte aos seus familiares, fiquei muito impressionado com a morte da pobre empregada, logo, eu pensei nos meus pais e irmãos, será que eles chegarão a me ver homem?<br><br>Ali, compreendi que a vida não era somente brincadeiras e festas com os amiguinhos, eu, como criança, achava que a gente morria somente na velhice. Aprendi que nós não tínhamos idade para morrer. Mas, como Deus faz a coisa certa, eu e os meus irmãos crescemos e ficamos homens. Mas, a morte da empregada mexeu muito comigo na minha infância, talvez por ser a primeira morte que eu tinha visto.<br><br><br>E-mail: [email protected]