Já são bem conhecidas as imigrações italiana, árabe, japonesa e israelita. Povos que se radicaram em São Paulo e que nos enriquecem com sua cultura e gastronomia. Mas esta nossa cidade de São Paulo tem uma variedade de imigrações que enriquecem ainda mais a nossa diversidade cultural, formando um mosaico multiforme. Hoje, vamos colocar nesse nosso mosaico os imigrantes bolivianos, irmãos bem mais próximos de nossa fronteira do que os acima citados.
Primeiramente, vamos conhecer a flor símbolo da Bolívia, a kantuta, de cores vermelho, amarelo e verde. Kantuta também é o nome da praça no bairro do Pari que, todos os domingos, reúne esses imigrantes em uma movimentada, alegre e colorida feira. Ela acontece na Rua Pedro Vicente, altura do número 600, das 11h às 19h. Percorrendo-a, vamos encontrar uma variedade de produtos vindos diretamente da Bolívia para que esses imigrantes possam realizar a sua gastronomia, como por exemplo, o maiz ou choclo em espigas, quirquiña que é um tempero que se assemelha ao nosso coentro ou salsinha, ajís ardidos (pimentas), maiz em grãos e as papas (batatas) em suas variedades: rajadas; pretas; marrons, de sabor mais forte; e brancas, quer in natura como desidratadas. As barracas são coloridas pelos ingredientes e pelos tecidos e enfeites, com as cores da Bolívia e das tecelagens andinas. Os frequentadores fazem questão de usar seus trajes típicos, o que é um espetáculo muito bonito e agradável.
A feira tem mais de cem barracas e pelo menos umas 20 são reservadas à gastronomia. Quando se adentra a feira, já é possível sentir um odor muito gostoso do mocochinche fervendo nos caldeirões. É uma mistura que faz lembrar-se do nosso quentão ou do vinho quente europeu, feita com pêssego desidratado, açúcar, cravo e canela. Há, também, o cheiro do frango assado e do chincharrón, que é uma carne de porco meio pururuca, servida com mote de maiz, o milho graúdo e batatas puño, mais escuras e desidratadas. As salteñas quentinhas nos enchem os olhos de gula e a boca de saliva. Contudo, é preciso cuidado para comê-las porque o seu recheio, bem quente, é líquido. Abre-se pela ponta e come-se com colher. Nos dias frios, pode-se degustar uma sopa muito nutritiva, feita com mani (amendoim). Tudo isso pode ser acompanhado por uma cerveja Paceña.
Como já dissemos, é um festival de cheiros, cores e sabores, que nos leva ainda a uma viagem pela música e a dança dos Andes, executadas nos instrumentos típicos das cordilheiras. No meio da feira, há muita música e muita dança e o que mais se ouve é o linguajar boliviano.
Estes encontros de imigrantes, que se reúnem em feiras, em festas ao redor de padroeiras ou em praças ou clubes, servem para que possam amenizar a saudade da pátria distante, que por motivos dos mais variados, desde guerras, loucuras da natureza como terremotos, tsunamis e incúria de governantes, desterraram seus filhos arrancando-lhes as raízes que eles tentam plantar, ainda que precariamente nos países onde são recebidos. Amam a terra que os recebe, onde nascem seus descendentes originando a miscigenação do sangue e da cultura, mas não é possível esquecer a terra em que se nasceu.
Sabemos que esses irmãos bolivianos têm sofrido muito em seu país de origem e sofrem igualmente na terra que os recebe, mas onde, de algum, modo encontram mais facilidade para cuidar de suas famílias. A eles o nosso abraço fraterno.
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