Joaquim Nunes Teixeira nasceu em 14 de junho de 1884, em Casais, Distrito do Porto, e faleceu em 27 de junho de 1971 em São Paulo, como muitos lusitanos, que desde a descoberta do Brasil, rumou para a terra de seus ancestrais portugueses que a descobriram, vieram para cá tentar uma nova vida, uma nova realidade, pois aqui se plantando tudo dá e assim o fez.
No ano de 1910 embarcou no Porto, Portugal, e desembarcou no Rio de Janeiro e veio trabalhar com os irmãos que ali já estavam (João e Antonio), tinham uma chácara em Jacarepaguá, mas não ia muito bem e depois de alguns anos veio para São Paulo, em 1922, que estava no auge da grande expansão cafeeira e evolução sem precedente. Desembarcou no Porto de Santos e rumou para a Capital Paulista, mais precisamente no bairro do Ibirapuera em 1922, local de grandes chácaras e sítios de hortaliças, pois era uma área de várzea.
Em 1924, casou-se com Rosa Dias Neves, também portuguesa, da cidade de Oliveira de Azemeis, nasceu em 29 de setembro de 1890 e faleceu em 25 de outubro de 1935, ela veio para São Paulo depois do Sr. Joaquim para o mesmo bairro de Ibirapuera onde se conheceram e casaram. Ambos trabalhavam na lavoura de hortaliças e conheceram outro português de nome Salvador Mendonça, que já tinha mais tempo ali como agricultor com o qual o Joaquim fez boa amizade e onde teve grande apoio para iniciar suas atividades agrícolas, inclusive foi padrinho de uma das filhas do Sr. Joaquim, a Maria Nunes Teixeira, a Mariazinha.
O Sr. Joaquim Nunes Teixeira teve sete filhos, onde a mais nova e única viva, Maria Nunes Teixeira, Mariazinha, que depois de casada virou Maria Nunes Figueira, seu marido Jose Augusto Figueira. Outros filhos já falecidos eram: Guilhermina, Agostinho, Elvira, Silvina, Cecília, João, todos eles com história de luta na Vila das Belezas.
Na realidade a vida amorosa do Sr. Joaquim foi intensa, antes de se casar com Dona Rosa, ele teve uma namorada em Portugal em 1908, chamada Emília Freire de Oliveira com a qual teve um filho, mas os pais dela não consentiram com o casamento e, desgostoso, ele resolveu vir ao Brasil, depois de Dona Rosa ele namorou de 1937 a 1940 com uma senhora alemã, Dona Catarina, mas acabou também e em 1942 ele conheceu uma senhora portuguesa de nome Maria da Luz Silva, com a qual teve um excelente relacionamento amoroso e familiar e ela ficou com ele até sua morte em 1971.
Ainda em 1924, nesse bairro do Ibirapuera, Salvador Mendonça, pressentindo uma revolução se aproximando, a "Revolução tenentista de 24", onde as ameaças para a integridade física eram grandes, mudou-se para um lugarejo logo após a Ponte João Dias, conhecido como Fazenda do Chá, um cinturão verde que ia desde a atual Av. Giovanni Gronchi até onde é hoje o bairro de Vila Prel, cerca de 2 km, ladeada pela Estrada de Itapecerica, que na época era de terra batida e o córrego do morro do "S" que vem lá do Capão Redondo e deságua no Rio Pinheiros, próximo à Ponte João Dias, córrego este que era piscoso com muitos peixinhos como lambari e cascudo, que pescávamos com peneira, e, também em suas margens, tinham grande quantidade de capim, onde os criadores de cavalos e animais em geral iam cortar para suas crias, esse cinturão de hortaliças veio depois a se chamar Vila das Belezas de baixo ou Nova Vila das Belezas, que hoje tanto a parte baixa como a alta é só Vila das Belezas.
Com a revolução se espalhando, bombas pipocando por todos os lados, os outros sitiantes apavorados começaram a fugir e abandonar as terras também, e entre eles estava o Sr. Joaquim Nunes Teixeira que, a conselho de seu compadre, veio para a Fazenda do Chá e gostou do local, com o término da revolução ele vendeu suas terras e comprou aqui na Vila das Belezas, nessa época também compraram terras nessa região a família Bronzatto, Geniolli, Vaders e Witner entre outros. Após a o término da revolução, muitos sitiantes retornaram ao local, mas depois de cinco anos, por volta de 1929, o governo municipal "despejou" a todos daquele local para projetar o futuro Parque do Ibirapuera.
A Fazenda do Chá era de propriedade de Dona Benta, (Nhá Benta), esposa de Dr. Antonio Bento, nesta região ainda havia a fazenda dos Abrantes, região depois do córrego do morro do "S", e a fazenda dos Andrades, onde hoje é a Vila Andrade, Morumbi, e fora as outras fazendas até chegar ao Capão Redondo e Campo Limpo. Vale ressaltar que Dr. Antonio Bento é nome de Rua em Santo Amaro e sua esposa Dona Benta é nome de praça no final da rua que leva o nome de seu marido e fica atrás da Santa Casa de Santo Amaro.
Na fazenda do Chá, havia um grande casarão (sede da fazenda), com salões grandes e cobertos de azulejos decorados em tons azuis, típico português, onde era a casa do senhor fazendeiro, que eram Dona Benta e Antonio Bento, que não tiveram filhos e com a idade avançada foram doando uns terrenos aos empregados (ex-escravos), e vendendo outros, isso em 1929, um dos compradores foi o rico fazendeiro da região, Jose Abrantes, que já era dono de terras vizinhas; a divisão dessas terras era feitas por “valos” de aproximadamente 2m por 3m e em alguns pontos com estacas de madeira e/ou concreto com numerações, aproveitando a oportunidade o Sr. Joaquim adquiriu vários lotes desses empregados que os ganharam.
Em 1932, com a Revolução Constitucionalista e a grande crise do café, e por que não, afetou toda a economia do Estado, inclusive a chácara do Sr. Joaquim, pois ele era um dos que abastecia o mercado de Santo Amaro e Central, com suas hortaliças, essa crise começou com a queda da bolsa de Nova York e foi de 1929 a 1933 aproximadamente, a economia ficou estanque, não circulava dinheiro e havia o racionamento geral. Ele tinha cerca de dez empregados na sua lavoura e, neste dia, de certo mês e ano de 1932, quando foi entregar suas frutas, verduras e legumes no mercadão, não havia comprador, e pior, os revolucionários derrubaram toda mercadoria no chão, pisotearam, tocaram fogo, não só com ele, mas com todos os fornecedores; era uma revolta geral, muita tristeza, prejuízo geral e ameaças de agressão.
Continua…
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