Noite fria, nos bons tempos do "bingo", 5 ou 6 anos atrás. Como fazíamos todos os fins de semana, eu e a Myrtes, juntos com casais amigos: Wanderlei e Iara, Joaquim e Tereza e Hercules e Gloria, em comum acordo, levávamos nossas companheiras até o bingo da rua Aratãs, em Moema. Ótimo passatempo, para quem gosta, evidentemente. Vez ou outra, ganhavam alguma coisa, na maioria das vezes, perdiam, (não muito, eram prevenidas…). Agora, um momento de prosa entre nós a respeito do bingo. Essa proibição é por demais arbitrária contra os idosos. A grande maioria das pessoas que frequentavam os bingos era já de idade avançada, tinham no passatempo um relaxante, como jogar tômbola nos fins de anos, com a família. A hipocrisia maior é que os bingos continuam, clandestinos, sem nenhuma segurança e, alguns deles, com "amparo" policial. Bem, é melhor parar por aí…
Nós, os maridos, íamos direto para um salão de sinuca existente nas redondezas. Jogávamos sempre em parceirada, sorteando os pares. Sempre que houvesse repetição de parceiros trocávamos no decorrer das partidas, em um sadio e bem humorado passatempo. Isso quase todas as noites de sextas-feiras, sempre amigos, apesar de nem todos serem vizinhos um do outro. Só o Joaquim mora perto de mim. Moramos no Parque Continental há mais de 40 anos. O Hercules mora no Brooklin e o Wanderlei, no Morumbi. Conhecemos-nos quando adquirimos, quase que simultaneamente, casas em Mongaguá, há mais de 30 anos. Fizemos boa amizade que dura até hoje; nas férias coincidia sempre em passar na praia juntos, depois de acertos por telefone. Como nossas casas distavam a poucos metros da praia, nosso passatempo matinal era futebol e nas tardes, bocha, além da praia, é claro.
Sim, bocha, reservávamos um trecho retangular, na areia, 3 a 4m x 10 a 15m. Na quadra improvisada, sempre preparada pelo bom esportista e grande ser humano, o Nico, já falecido, concunhado do Wanderlei, aproveitávamos o declive natural e suave das praias, todos jogando do mesmo lado, as partidas eram jogadas por 4 pessoas, parceirada, 2 a 2. Quem conhece jogo de bocha sabe o que eu quero dizer, não tinha as tábuas de retenção, a própria areia se encarregava de amortecer a velocidade das bolas. Era muito divertido e gostoso, saudável e desopilante, pois não faltavam as gozações, brincadeiras e, por que não, discussões a respeito da validade, pontos, distâncias não respeitadas e as partidas sempre terminavam com risos e gargalhadas.
Bom tempo, ou melhor, ótimos tempos, estes sim eram aqueles em que éramos felizes e sabíamos (esta era a face amarga da situação, sabendo que aquilo não era para sempre). Coincidiu que vendemos as casas quase que simultaneamente, por motivos vários. Com relação ao bingo, tenho mais algumas curiosidades para contar, na próxima crônica. É só esperar.
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