A Travessa ainda está lá, no número 200 da Rua Vergueiro. Não tem, certamente, o charme dos anos 50, mas aqueles que ali viveram ainda podem ouvir as suas próprias vozes de adolescentes, ecoando pelas calçadas… A gente pode ouvir as músicas tocadas nos bailinhos realizados na casa 1-A, onde morava um grande amigo, Flávio, atualmente residindo em Botucatu. Ah, a música… a orquestra de Glenn Miller, nossa preferida… Moonlight Serenade, In the mood, Over the rainbow… Naquele tempo se dançava agarradinho, muito romântico, ao som da vitrola Hi-Fi, comprada na recém-inaugurada loja Sears Roebuck, no Largo do Paraíso, discos de 78 rpm e os novíssimos long-plays, e era espetacular. A orquestra de RAY CONNIFF tocava "Love is a many splendored thing (do filme "Suplício de uma saudade" com Jennifer Jones e William Holden) e "Besame mucho" e, pra balançar os mambos do Xavier Cugat… a luz era diminuída e, embalados pela "Cuba libre" (rum e coca-cola) ou gim-tônica, começava a "sessão romance" com aqueles deliciosos boleros do Lucho Gatica (Sinceridad, Vaya con Dios , Nosotros…), um clima de romance no ar, terminando invariavelmente com a Maysa cantando, chorosa e divinamente "Meu mundo caiu e me fez ficar assim…" e também, invariavelmente, a Dona Noemia, mãe do Flávio, acendendo as luzes e terminando o bailinho…"que o clima está ficando quente e já passa das 11". Que pena…