Nos anos 50, com a abundância de terrenos nos bairros, praticavam-se muitos esportes: futebol de várzea, atletismo, basquete, natação no estádio do Pacaembu que tinha uma pista ao redor do campo, e tênis nos clubes mais elitistas. Em alguns clubes mais populares como Tietê e Floresta praticava-se além de atletismo, o box considerado uma nobre arte. Porém, o esporte mais elitista era o polo.
Lembro-me que atrás do estádio Nicolau Alayon, pertencente ao Nacional Futebol Clube, localizado na Rua Comendador Souza, na zona oeste, existia um imenso campo para a prática desse esporte. Eu, com a idade de nove anos e meus amigos Sergio e Lula (não sei por onde andam) íamos nadar nas lagoas da várzea e, na volta, ficávamos assistindo o treinamento dos cavaleiros. Vibrávamos com as arriscadas jogadas e com o galope dos magníficos cavalos.
Com o passar dos anos, esse campo foi desativado e transformado em quatro ótimos campos de futebol, cercados e com excelentes gramados. Na arquibancada, foram construídos vestiários para os jogadores. Com 14 anos, já jogando em times de várzea, conheci um garoto, em uma festa de aniversário de minha prima Ângela. Esse garoto, José Roberto Carlomagno, tornou-se meu maior parceiro no futebol. Era canhoto, muito técnico, possuidor de ótimo chute, um ponta esquerda nato. Driblador, inteligente, encarava sem temor os zagueiros "cascudos".
Nossa parceria estendeu-se ao profissionalismo no interior do estado e continuou, por muitos anos na várzea, na equipe do Santa Marina, na Água Branca. Atualmente, com aproximadamente 70 anos, Carlomagno continua batendo sua "bolinha", ensinando os mais jovens. Continuamos em contato por e-mails e, às vezes, por telefone. Carlomagno foi um grande boleiro do futebol varzeano, atuando no Sul-América, Can-Can, Corinthians Pompeano, Botafogo da Pompéia, além do já citado Santa Marina. Tivesse ele nascido na década de 90, teria sido contratado, não tenho dúvida, por times de primeira linha e chegado à seleção brasileira.
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