Tinha nove anos quando fui ao Museu do Ipiranga. Algumas primas adultas, que estavam de férias, aproveitaram o período para nos levar, o mês era julho. Quando chegamos fiquei surpresa pelo aspecto da construção do mesmo, cercado de linda e abundante vegetação. Admirei a suntuosidade da fachada, as portas e o painel que continha a foto de D. Pedro I e o cenário da Independência.
Depois visitamos cada compartimento. Lembro-me que vi os móveis imperiais: cama, espelho e objetos do quarto, além de apreciar alguns pertences das esposas de D. Pedro I e, posteriormente, vi também alguns objetos da Princesa Isabel.
Fiquei pensando na opulência da época da monarquia, em detrimento dos quadros retratados por Debret que mostravam os escravos sempre em posições servis. Muito curiosa, logo perguntei:
-“Por que sempre as mulheres usavam panos na cabeça, alguns servos estavam descalços, outras senhoras tomando conta de crianças e alguns jovens abanando pessoas?”
Um senhor que nos acompanhava ponderou que os quadros retratavam a vida na corte e disse que Debret veio da França com o objetivo de fazer isto. Algo que me lembro nitidamente foi de uma sala jantar monumental e das peças de prata, de vários tamanhos e detalhes,assim como pratos, talheres e copos.
Outro detalhe que indaguei era o nome comprido das princesas e a espessura dos livros expostos. Os detalhes de tinteiro e pena me despertaram também um grande interesse. No final, quis comprar um postal, importante instrumento de registro do lugar, do tempo e dos fatos que me fizeram relembrar da visita realizada.
Gostaria de em breve oportunidade poder repetir a visita realizada há quase exatos quarenta e cinco anos. Encerro este breve e significativo relato da minha vida e acredito também que na dos meus primos com o poema de Carlos Drummond de Andrade, que parece traduzir plenamente tudo o que senti:
“Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão”
E-mail: [email protected]