Inesperado

Manhã de sol. Muito sol. Sábado preguiçoso, sem obrigações, convida a sair de casa para tomar um suco, olhar vitrines, relaxar. Pensando bem, é melhor aproveitar a linda manhã para comprar presentes de Natal, assim as crianças se divertem e não ficam presas em casa! De carro? Não melhor a pé, passeando…

A decoração de fim de ano sempre atrai os pequeninos e gera mil e um comentários; a cada passo (haja paciência!) uma parada para examinar essa ou aquela novidade. Chegamos à Rua João Cachoeira, principal do comércio da região, toda decorada para atrair a antiga clientela ou para chamar novos compradores.

Tantas roupas, tantas cores, tantos objetos úteis e inúteis sem os quais pouca coisa mudaria, mas, pensando bem, dezembro não é o mês para se avaliar a utilidade dos produtos, é o mês em que procuramos pequenos mimos para se presentear.

Andando aqui e acolá, examinando as possibilidades, meus olhos se voltam para uma vitrine no outro lado da rua. Reparando melhor no manequim percebo uma coisa diferente. Ah! Já sei é um manequim vivo! Que coisa mais interessante, pensei! Observo atentamente e vejo que as pessoas param, olham, ou simplesmente dão uma rápida conferida na vitrine, mas não percebem, seguem seu caminho sem notar. Será que estou enganada? Não, não estou, é realmente um manequim vivo, embora passe despercebido.

Chamo as crianças que estão distraídas com alguma coisa e aponto para a vitrine do outro lado da rua e mostro aquela curiosidade. Mas o inesperado acontece… Imagino que aquele profissional estivesse cansado da mesma posição, para tão pouca manifestação de interesse do público que por ali transitava… Quase uma indiferença total!

Apontei, expliquei o que era para ser visto e quando elas conseguiram focalizar e entender, o manequim sorriu. Um sorriso largo, nada profissional! Entendi, naquele momento, que ele gostou da plateia, mesmo que bem pequena…e do outro lado da rua.

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