Desde muito criança frequentei cinemas, sendo conduzido pelo meu irmão mais velho que era um verdadeiro aficionado pela telona.<br>Inicialmente eu dormia em cada sessão, e acordava com as cotoveladas do mano véio. Sempre eu imaginava que na saída do cinema estaria chovendo.<br>Não lembro bem, mas tenho certeza que após determinado horário, as crianças não podiam estar dentro da sala de projeção.<br>Já na adolescência, frequentava os cinemas da Penha, como o Júpiter e o Penha Palace. No Braz ia muito ao Cine Piratininga, que era tido como o maior cinema do Brasil (2.000 lugares), mas as cadeiras eram de madeira, muito desconfortáveis. O Cine Glória , na Rua Gasometro era delicioso, com ante sala, boa bomboniere, e poltronas estofadas.<br>Como o Glória era dentro da colônia italiana, geralmente passavam fitas italianas, mas eu preferia as matines do domingo, com filmes de capa e espada. Legal era cabular as aulas do colégio São João e ir ao cine Roxy ou ao Universo, que abria o teto em noites claras e você se sentia em um planetário. Nesse cinema assisti ao filme que deixou grandes marcas pela sua técnica, história e preconização, antecedendo ao Spielberg. O DIA EM QUE A TERRA PAROU ! Lindo. Klactu barada niktu! <br>O tempo passando, e já mais velho, descobri os cinemas do centro da cidade. Todos obrigatoriamente de paletó e gravata. <br>Cine Rivoli, tinha até pianista antes da sessão, tinha ar condicionado e quase sempre colocavam aromatizante no ar. O cinema era todo acarpetado em vinho e creme, poltronas deliciosas e colocadas em desnível de formas a que todos tivessem boa visão da tela.<br>Cine Metrô, é claro que eu não podia deixar de frequentar o cine Metrô, onde passaram filmes como Zorba, Romeu e Julieta e outros grandes sucessos da Metrô.<br>O cine Paissandú, que chegou a exibir todas as fitas do Mazzaropi.<br>O elegante cine Ouro, que logo decaiu com o avanço da tv.<br>O Cinerama, que era uma verdadeira maravilha com a exibição de As aventuras nos Mares do Sul, com uma telona que envolvia os olhos e dava impressão de terceira dimensão.<br>Alguns cinemas tinham a sessão da meia noite, e era incrível, você podia sair de madrugada e andar até sua casa sem maiores preocupações que as normais.<br>Drops Dulcora, pipoca americana (aquela caramelada),cheiro de anis, cantinhos especiais para namorar, linda fitas de romance, épicos, cowboys e heróis, tudo sem falar no Herbert Richards com o repórter da tela.<br>Curioso era ver a cortina do Cine Glória, era toda de cartazes de propaganda dos estabelecimentos da região – os cinemas tinham uma cortina que tapava a tela e que só se abria após o som do gongo (Dum, dum, dum)