"Para inglês ver…"

Este texto é pelo prazer honroso de participar do SPMC, o qual valoriza a memória paulistana. O fato a ser lembrado pouco vale como história da Cidade. Exceto pelo inédito em que se constituiu. Coisa até recente. Retrocede a 1987. "Governo Jânio Quadros – A Vassoura em Ação": ele era, de novo, prefeito. Extravagância (pois não era prioridade): mandou pintar toda a frota da CMTC, que vivia mudando de cores, agora de vermelhão, "tal qual" a de Londres. Pelo menos essa deve ter sido a intenção. E extravagância maior, ainda: Vieram os ônibus de dois andares. "Double-deckers", como os de Londres? Mais ou menos.<br><br>À época, acompanhei o andamento com curiosidade e interesse. Mas, por exatidão, folheamos um jornal, de arquivo. "Diário Popular", 3/9/1987. Foto e legenda: "O Belichão, ônibus de dois andares, desenvolvido pela CMTC, está com seu protótipo quase pronto (…) será apresentado ao prefeito Jânio Quadros no próximo dia 8". Do mesmo jornal, p. 12. Destacava, dentre outros tópicos, que tal protótipo estava sendo montado nas oficinas da Santa Rita (Pari), que a CMTC até pretendia produzir, deles, cerca de 20 unidades por mês, que um “dois-andares” levaria 111 passageiros: 44 sentados, no piso superior; 28 sentados em 39 em pé, no "térreo"; altura do monstrengo: 4,26m (rente à fiação dos trólebus).<br><br>O jornal ainda destacava que, para Jânio Quadros, o ônibus era "Dose-dupla". Porém, no letreiro, trazia "Fofão". DIPO, 9/9/1987. "O ônibus de dois andares (…) apresentado ontem ao prefeito (…) viagem-teste, entre o Pari e o Ibirapuera (…)". Começaram a circular logo, no dia 21. Linha Sé-Santo Amaro, via Brigadeiro. Viajei nele com minha família uma única vez, só para conhecermos. Em cima, apertado e baixo. A escadinha, terrível de galgar. Igual aos de Londres? "More or less"… Porém, sem o charme dos Routemaster. Na CMTC, duraram pouco. Eram de mecânica Scania, de São Bernardo do Campo. A carroceria era da Thamco, de Guarulhos. Os “double-decker” só frutificaram mesmo, e até hoje, como rodoviários. Aí, são "outros quinhentos", porém. Não me recordo com exatidão. Mas, acho que já era Erundina. Vi alguns desses carros altões "agonizando", relegados à linha "de menor importância". Lá pelos lados de Vila Sônia, na Francisco Morato. O correto do letreiro, em vez de constar como constava o destino, deveria escrever: "The end"! Era realmente o fim deles. "Bye-bye".<br><br>Penso é que, de verdade, os nossos “dois-andares” da CMTC, de cara "londrina", morreram foi de tristeza e melancolia. Afinal, o Tietê não é "O Tâmisa", nossas fumaças paulistanas também não são o "Fog". E vai ver que o vermelhão da CMTC não era do mesmo tom que o da London Transport. "Sorry"…<br><br>Sendo assim, seria de perguntar: “Ó, Belichão (ou Dose-dupla, ou Fofão), que fazes nesta terra de Piratininga? És de "alma" londrina, pois não? De que vale tua aparência, já que a atmosfera urbana da Paulicéia é outra? Goodbye, double-deckers"!<br><br>Patente: Foi muito dinheiro mal empregado ou não? Ponto final. Registre-se. Publique-se (no site). Arquive-se, na memória paulistana…<br><br><br>E-mail: [email protected]