Foi assim que conheci São Paulo

Velha infância, rememorando os tempos antigos em que era apenas uma jovenzinha, todos os domingos, eu e minha mãe Maria fazíamos um passeio até a casa de minha avó materna, a Edwirges, italiana de nascimento, cabelos presos em birote, vestido comprido e avental. Até a chegada a sua casa, os caminhos eram longos, morando na Vila Hamburguesa tomávamos o ônibus no ponto final, que nos levaria até a Lapa. Em seguida outro que nos levava até a Praça Ramos de Azevedo.

Então atravessávamos a pé o Viaduto do Chá, chegávamos até a XV de Novembro, descíamos a Rua General Carneiro até o Parque Dom Pedro, onde outra condução nos encaminhava até São João Clímaco, onde ela residia.

Nesses caminhos, sentada sempre no banco perto da janela dos ônibus, ia decorando os trajetos. Achava maravilhoso ver o Vale do Anhangabaú, chegar ao imenso Parque, e depois a Av. do Estado com suas pequenas e antigas casas, as quais eram separadas do rio Tamanduateí pela avenida, enfim o Museu do Ipiranga e a via Anchieta.

Lá chegando, a família estava toda reunida nos fundos do quintal para as conversações, café com bolo de fubá e uma deliciosa moda de viola, tocada por meu tio de apelido Bóia (agora muito velhinho) e meu primo Dinho (já falecido). Que tardes saudosas e aconchegantes nos braços de minha velha avó, que acarinhava a todos com seu amor espontâneo, maternal e matriarcal. Quem tem família tem tudo, e muitas recordações.

E foi assim que desde pequena usufrui desta cidade maravilhosa, aprendendo a caminhar por ela, admirando toda sua bela estrutura, que hoje está modificada, mais moderna, mas continua a ser a nossa São Paulo do coração.

Abraços a todos da equipe deste site e a todos os leitores que porventura irão ler mais esta minha história, obrigada.

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