São Paulo terra dos Bandeirantes foi a que nos acolheu quando dos sertões ainda bravios do noroeste viemos.
Os versos dizem que devemos amar com fé e orgulho a terra em que nascemos…
Acredito que sim, mas outra grande verdade seria: devemos agradecer, honrar e também amar e nos orgulharmos da terra que nos recebeu de braços abertos e que nos propiciou a ventura de aqui vivermos.
Na nossa infância, nos idos da década de cinquenta, para cá mudamos.
Encontramos um mundo diferente do qual estávamos habituados.
Tudo era novidade: carros, edifícios, aviões, ônibus, bondes, multidões…
O que não conhecíamos e nunca tínhamos ouvido falar era a "Carrocinha" que capturava os cachorros encontrados na rua.
Em uma tarde, nossos amigos vieram correndo nos avisar que haviam pegado o nosso cachorro, havíamos trazidos ele da terra em que nascemos: Leão era o seu nome.
Desesperados e chorando ficamos, mas corremos avisar nosso pai, pois haviam dito que ele seria sacrificado e fariam sabão dele.
De imediato meu pai se inteirou da situação e com as informações obtidas soube que deveríamos ir ao Canil da Prefeitura aqui em Santo Amaro e só após pagar uma taxa e vaciná-lo nos devolveriam.
Assim foi feito e nos recomendaram que nunca deveríamos deixá-lo solto na rua e que colocássemos uma coleira, focinheira e "guia" quando quiséssemos levá-lo para passear.
Só que as recomendações nunca foram seguidas, pois eu e meu irmão oferecemos aos homens da carrocinha que todas as vezes que por ali passassem poderiam ir ao empório do meu pai, beber refrigerantes e comer sanduíche de mortadela sem nada pagar.
E assim foi feito, nosso Leão nunca mais foi incomodado durante anos, até que uma velha fofoqueira, chamada Dona Luci, que não gostava do meu pai, soube da artimanha e foi no Canil da Prefeitura “caguetar”, pois o cachorro dela foi capturado duas vezes e o Leão nunca mais.
O fiscal da prefeitura veio ao empório do meu pai para constatar se realmente era verdade. Mas tanto naquela época, como na de hoje nada mudou, trocam-se só os nomes, mas os ratos são os mesmos, o homem comeu, bebeu e ficou por isso mesmo.
E o Leãozinho amigo da garotada, continuou feliz para sempre.
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