Cheguei ao bairro de Campo Grande, em Santo Amaro, com apenas 5 anos, em 1959. Naqueles anos, a rua em que morávamos, antiga Estrada da Campina, assim como a maioria das ruas, não tinha asfalto e nenhuma criança corria perigo ao brincar nela. E como brincávamos! Brinquei muito de carrinho de rolimã, escondido de minha mãe, que dizia que não era brincadeira de menina. Brinquei muito de "Mãe rica e mãe pobre", de roda, pula corda, pega-pega. Sempre na rua.
Do primeiro ao segundo ano primário estudei no Grupo Izaltino de Mello, cujo diretor era o Sr. Nascimento e como repeti o terceiro ano, meu pai me matriculou no Sesi. Depois que voltava da escola, almoçávamos e minha mãe ia tirar a soneca da tarde e fazia os 4 filhos dormir também. Eu, a mais velha, quando já estava com meus 8 ou 9 anos, abria a janela e meu primo Roberto me ajudava a "fugir" para a rua. Daí eu brincava até minha mãe me chamar, muito brava, e, às vezes, eu levava umas cintadas, mas no outro dia fazia tudo de novo.
À tardizinha, adorava como toda vizinhança, as aventuras de "Juvêncio, o justiceiro do sertão" na rádio Piratininga. Lembro-me, até hoje, da música e da voz do Juvêncio. Tempos bons! São Paulo naqueles tempos não oferecia perigo nenhum, comparando com hoje. Outro dia mesmo, passei nessa rua tão querida para ir a casa de uma vizinha, já bem idosa, daquela época. Mal reconheci a casa em que morei. A rua super movimentada, hoje é a Avenida Belforte Sabino. A única coisa que ainda permanece o mesmo é o bar do português Olívio. Eu o vi sentado na porta do bar, quando passei de carro, ele olhou para mim como se tivesse me reconhecido, mas não tive coragem de parar para conversar. Mas, quero voltar lá e conversar com ele e recordar como nossa rua era tão calma, amiga e humana e como seria bom se o progresso não tivesse anulado isso.
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