Minha boneca

Saímos de Carlópolis, no Paraná e mudamos para São Paulo.<br><br>Meu Deus, não vejo a hora de chegar o fim do ano para ganhar uma boneca que tenha cabelos. Tinha 9 anos e todo domingo cedo me arrumava, subia a rua da minha casa, que era uma ladeira e quando chegava lá em cima já tava suada, mas, o que importava é que mais uma vez lá ia eu participar de uma reunião para poder ganhar uma boneca no fim do ano.<br><br>Centro Espírita Padre Zabeu, era lá que eu ia todo domingo, levava um cartão com 36 quadradinhos que cada um representava um domingo do ano. Então, casa domingo que eu participava eles carimbavam um quadro para poder ganhar o presente no natal.<br><br>Quando saíamos da reunião, trazíamos para casa um pão recheado com mortadela e feliz da vida com o cartão já carimbado. Que alegria a minha quando chegou a tão esperada data e fui buscar meu presente. Primeiro teve umas apresentações com comes e bebes, depois foi a entrega dos presentes. <br><br>Minha decepção foi muito grande quando peguei a boneca na mão e vi que não tinha cabelos, era muito bonitinha, toda de borracha e, na cabeça, tinha um coque imitando cabelo, só que era do mesmo material da boneca de borracha e na caixa o nome da boneca era Margareth, tenho a boneca até hoje.<br> <br>Fiquei triste e aborrecida porque sonhei tanto com a boneca com cabelos, mas logo tive uma idéia e resolvi o problema. Peguei um retalho de cetim, desfiei e prendi naquele coque como se fosse o cabelo da boneca, então dava para eu pentear e fazer até trançinha nela, e pronto… Resolvido o problema. Mas, nunca mais quis ir naquele lugar aos domingos. Ficava só brincando e curtindo minha bonequinha com cabelos de tecido.<br><br><br>E-mail: [email protected]