Um piquenique ou convescote

No século passado era comum reunir a família e amigos para passarem o domingo em um parque e fazer um piquenique. Não tinha segredo, pois as mulheres trocavam ideias e lá iam para preparar o delicioso farnel.

Minha mãe fazia bolinhos de batata recheados com carne moída, tortas salgadas, ovos cozidos e para beber tubaínas, caçulinhas e muitas outras coisas, e tanto os bolinhos quanto os ovos ficavam uma delícia frios e a gente nem se importava com isso.

Certa vez, fomos ao zoológico de caminhão todos na carroceria, inclusive minha avó e a festa começou ali mesmo. Andamos até encontrar um bom lugar para estender as toalhas, minha mãe e minha tia arrumaram as mesinhas de granito e nós, as crianças e os pais, fomos caminhar e ver de perto os pobres bichos, ávidos por comida.

O meu pai, que gostava muito de brincar, parou na frente de uma jaula vazia e começou a falar alto: “Olhem que bicho esquisito! Vejam os olhos dele!”

De repente, atrás de nós foi juntando gente e, pior, os outros viam o que nós não víamos e ficavam. Foi muito engraçado e meu pai disse que a curiosidade faz parte do ser humano e não tem idade para isso. Esse dia marcou como o dia da jaula vazia!

Como eram bons esses passeios ao ar livre, além do Zoológico também íamos ao Parque Ibirapuera passear de barco no lago e víamos os casais de namorados trocando juras de amor sob arvoredos frondosos.

Agora é "brega" fazer piquenique, infelizmente, porque não deixa de ser um modo de curtir a família, sentados no chão, ouvindo os pássaros, a brisa que sopra nas árvores, jogando bola ou peteca, interação entre pais e filhos.

Viajando por esse mundo, fui conhecer o Vale do Loire na França e fiquei surpresa ao ver, nos gramados bem cuidados dos castelos, muitas famílias ali sentadas fazendo piquenique. Será que nós perdemos todo esse romantismo ou, de fato, a nossa sociedade retrocedeu. Vamos tentar retomar esse hábito tão saudável para toda família.

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