Na década de 70, eu trabalhava como um dos diretores do Programa Silvio Santos em São Paulo e um dos quadros que eu dirigi no programa foi o Sorria. Nessa época o programa era transmitido ao vivo, na antiga TV Globo na Praça Marechal Deodoro. Um dos quadros do Sorria era a consagrada Praça da Alegria, quadro que eu considero a maior ideia de humor em todos os tempos.
Naquela época o Programa Silvio Santos simbolizava os domingos paulistanos e porque não dizer de todo o Brasil. O programa era feito em São Paulo e era bem aceito,quebrava um tabu no Rio, onde até aquela época em termos de animador de auditório, só se admirava os que tinham o carimbo Carioca. Eu que era fã do Manoel da Nóbrega, era um simples telespectador quando morava em Recife, aliás "televisinho", porque minha família não tinha televisão. Ggraças a essas surpresas do destino que Deus nos reserva, me vi poucos anos depois dirigindo um programa que tinha esse meu ídolo, sob minha direção. Isso, confesso, nunca me deixava a vontade, apesar dele ser uma pessoa fora do comum.
Aprendi muitas coisas com o Nóbrega, que também trabalhou como redator nos E.U.A., entre elas o senso profissional, de que por mais problemas que você tenha, o seu dever tem de ser cumprido, pois você será sempre um escravo do seu sonho.
Mas, o momento mais inesquecível que passei com o Nóbrega, foi quando num dia ele me entregou um roteiro que eu não gostei, mas não tive coragem de dizer a ele. Eu guardei o roteiro e ao cumprimenta-lo quando ia embora, ele voltou e me pediu o roteiro. Eu entreguei e, para minha surpresa, ele o rasgou e me disse, me deixando estupefato com sua humildade:
– “Eu vi nos seus olhos que você não gostou, isso significa que você sabe que eu posso mais. E vou fazer para não decepcioná-lo!”. Isto eu jamais me esquecerei.
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