Há jogadores que ficaram na memória dos torcedores pela classe, categoria e elegância que exibiam nos gramados. Hoje, quero dedicar este espaço aos jogadores que, mais do que na memória, ficaram para sempre no coração do torcedor por sua dedicação e verdadeiro amor aos clubes que defenderam: Os Raçudos.<br><br>Certamente esquecerei alguns e peço aos que tiverem a paciência e a generosidade de ler este texto que me ajudem a recordá-los. Vou me ater principalmente nos jogadores de São Paulo e àqueles que vi em ação.<br><br>Começo por um verdadeiro representante da garra corinthiana: Idario, o espanhol que supria suas deficiências técnicas com uma imensa disposição para a luta. Com Goiano e Roberto Belangero formou-se uma das melhores linhas médias do Timão. Nessa mesma época o Palmeiras contava com Liminha, jogador de recursos limitados, mas que jamais dava uma bola por perdida. Infernizava as defesas com malícia e muito espírito de luta. <br><br>Na mesma situação estava Gino Orlandi, do São Paulo, que jogando ao lado de grandes craques era amado pela torcida.<br><br>Zé Maria! Quem não se lembra do Super Zé? Forte, físico privilegiado, esbanjava vitalidade em campo. Mesmo depois de encerrar a brilhante carreira continuou querido pela "Fiel" que o elegeu vereador de São Paulo.<br><br>E o uruguaio Forlan, heim? Fantástico espírito de luta como jamais se viu. Ia para o "pau" e não tinha medo de cara feia. Destoava um pouco do espírito tricolor que sempre buscava jogadores de maior categoria. <br><br>Daquele São Paulo ainda me lembro de Chicão que, além de raçudo, tinha boa técnica e chegou à seleção brasileira na Copa de 78 na Argentina. Vitor, lourinho de cabelos caídos sobre os olhos que não respeitava nem os grandes craques, "chegando junto" e agredindo se necessário. “Viche!”.<br><br>Os palmeirenses nunca se esqueceram de Dudu, que ao lado de Ademir formou uma famosa dupla no meio campo Alviverde. Era a elegância de Divino e a raça e o ímpeto do moço que veio de Araraquara. Era, como se dizia, o "pulmão" do time.<br><br>Dois nomes – o primeiro, verdadeiro artista e grande driblador e o outro pura raça: Canhoteiro e Paraná. Os dois vestiram e honraram a camisa 11 do São Paulo. O “mágico” e a "fera". Não serão esquecidos.<br><br>Do Santos, de tantos craques, vale lembrar-se do grande Toninho Guerreiro, que também foi campeão pelo São Paulo. Guerreiro já define o perfil desse valente centroavante.<br><br>Quando Biro-Biro chegou ao Corinthians contratado por Vicente Mateus, a gozação foi geral, pois o presidente prometera Falcão e trazia um desconhecido jogador de Pernambuco. Pois bem, digo sem medo de errar que o Biro está entre os dez jogadores mais amados da história do "mosqueteiro". Caiu nas graças da torcida e se tornou ídolo.<br><br>O Palmeiras, quando foi campeão brasileiro pela última vez (acredito que em 1993), contava com uma dupla de zaga quase intransponível: Antonio Carlos e Cleber, jogadores de muita força e alguma técnica. Na frente o Edmundo, ranheta, malicioso, aliava técnica à bravura. O Palmeiras anda a procura de um novo Edmundo.<br><br>Vale ainda lembrar os raçudos Daryo Pereira e Ronaldão, ambos, zagueiros do São Paulo que deram muitas alegrias aos torcedores do clube da fé.<br><br>A lista, como já ressaltei, é imensa. Todo torcedor tem lá na sua lembrança um nome de jogador comum, sem grandes qualidades técnicas, mas que permanece em seu coração pelo espírito de luta, pela garra e pelo amor à camisa. Idário, Chicão, Toninho Guerreiro, Dudu e tantos outros ficarão para sempre como exemplos de atletas responsáveis e que, mesmo nas derrotas, lutavam até o apito final. Desconheciam o verbo "pipocar" que muitos "craques" conjugam descaradamente com os bolsos cheios de dinheiro.<br><br><br>E-mail: d–[email protected]