Passagens pitorescas paulistanas

1.
Há certas passagens, apesar de banais, que acontecem em nossas vidas, que jamais esquecemos; umas pelas redundâncias, outras pelas comicidades.

Certa ocasião, há muitos anos , quando o trânsito ainda era bem tranquilo, trabalhava em uma empresa na Av. Angélica e sai com um colega. Ele estava dirigindo um fusca, quando por não haver tráfego, avançou devagarzinho um semáforo que estava com sinal vermelho. Mas um apito estridente de um guarda o fez parar.

O mesmo chegou perto e antes de pedir os documentos, disse:
– “O senhor não viu que o sinal estava fechado?”
Meu colega, respondeu:
– “Não, seu guarda, o que eu não vi foi o senhor…”

2.
Trabalhávamos (eu e meu mano) em uma multinacional em Santo Amaro, precisamente no laboratório Squibb.

Minha área era administrativa e, como tal, usava gravata, sapatos engraxados, camisa branca; ele era da área operacional.

Em uma ocasião passando pelo pátio, estava perto das proximidades do local de trabalho do meu irmão. O avistei com um colega na plataforma e fiz, quase que imperceptível, um aceno com a mão.

O colega ao lado dele falou:
– “Não vou com a cara desse sujeito, é metido que só ele!”
Meu mano falou:
– “É mesmo, você tem razão!”
O colega perguntou:
– “Você o conhece?”
– “Sim! É meu irmão…”

3.
A esquerda de quem olhasse do Empório do meu pai, via-se a casa onde morava o Sr. Antonio Português.

A casa do mesmo era recuada e tinha uma espécie de laje da porta de entrada até a calçada, ao lado havia uma horta.

Pois bem, um dia houve um temporal e o Sr. Antonio, abrigado debaixo da laje e embora estivesse caindo o maior toró, estava empunhando uma mangueira e regando as plantas.

Nosso pai nos chamou para ver. Não havia como não rir…

Outra ocasião, meu pai e seus amigos foram na chácara de um deles fazer churrasco e o Sr. Antonio foi junto.

Lá havia uma piscina e como estava muito calor ficaram se divertindo dentro da mesma, quando um deles percebeu que o único, apesar de estar de calção de banho, que não se divertia era o Sr. Antonio. Ai chamaram-no:
– “Venha também Antonio; pule que a água está boa.”

O mesmo pulou, mas começou a se agitar e afundar. Quando pensaram que o mesmo estava se sentindo mal, o socorreram e tiraram-no da piscina.

Preocupados perguntaram o que tinha acontecido, e ele respondeu:
– “É que não sei nadar!”
– “E por que você pulou, Antônio?”, perguntaram atônitos.
– “Pulei por que vocês me chamaram!”

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