Fim da Infância.<br><br>Com o passar do tempo, fui deixando de lado alguns tipos de brincadeiras infantis e passando para outras muito mais interessantes e agradáveis.<br><br>Bem cedo descobri o fascínio pelo sexo oposto. Ao entrar na adolescência ia ganhando experiência e bagagem no trato com as meninas. Trocando informações aqui e ali com os mais velhos e assim ia perdendo aquele medo inicial da aproximação para adquirir coragem para uma abordagem de resultados. <br><br>Corria o ano de 1964… Era o tempo do “ie-ie-ie” dos Beatles, dos discos da Hi-fi, dos cabelos longos, das calças justas, das paqueras, dos amassos nos cinemas e nos bailes. <br><br>Aos sábados, era sagrado ir a um baile, não importava onde e como. Sempre com as melhores roupas, a turma se preparava para encarar os bailinhos e conhecer novas garotas.<br>Passávamos a semana na expectativa para saber onde seriam os bailes.<br>Não me lembro de qualquer sábado que não houvesse lugar pra onde ir.<br><br>Cabelos longos, topetes, perfumes, cigarro escondido e grana. Moradores na Zona Sul, esse era nossa área de combate, poucas vezes nos aventurávamos ir para outros bairros.<br><br>Sempre em bando, para garantia de nossa segurança. Dificilmente arrumávamos brigas. Nosso interesse eram meninas e não se atracar com marmanjos. As bebidas servidas nas festinhas eram as Cubas Libres (Coca-Cola gelada com rum) e os Hi-Fi (crush gelado com vodka) ou ponche.<br><br>Dependendo da ocasião, o traje variava de terno e gravata para esporte chique. Mas geralmente o "uniforme" era calça Lee e camisa esporte (xadrez, listrada ou camisa polo de jacarezinho ou lacoste)<br><br>Quando a vitrola tocava "La Mer" ou alguma música italiana, iniciava-se uma corrida para tirar alguma garota e tentar dançar colado. <br><br>Uma troca de olhar mais insistente era o convite. <br><br>Dançar juntinho, mas sem dar pinta, era o melhor da festa, até poder arriscar quem sabe, algum beijo no rosto.<br><br>Se tudo corresse bem, o caminho parecia aberto para novos beijos no escurinho. O interesse era sempre formar um par.<br><br>Quando alguém se amarrava de verdade, a turma se sentia meio que traída, pois isso poderia afetar os bailes futuros.<br><br>Foi no aniversário de Lia Mara, que morava ao lado do Clube Banespa no Brooklin que isso realmente aconteceu. Ao felicitá-la pelo seu dia recebi um aperto de mão extremamente forte. Guardei para mim aquele sinal.<br><br>Assim que as iniciaram as músicas lentas fui em sua direção.<br>Dançamos uma seleção de três canções, bem juntinhos. Coração batia a mil… E sem coragem para arriscar um beijinho o rosto apesar de ter dançando coladinho. Respiração ofegante, não conseguia decidir se continuava a dançar ou parava para tomar fôlego.<br><br>Ao finalizar a dança sua mão não se soltou da minha. Ela então me convidou para tomarmos uma Cuba Libre. Minhas pernas tremiam e as mãos suavam sem parar. De mãos dadas fomos buscar as bebidas. <br><br>Chegando a cozinha, sua mãe coordenava o serviço de bebidas como forma de controle. Acabei sendo apresentado a ela. Só tomando umas e outras que a tremedeira desacelerou.<br><br>Dançamos várias vezes naquela noite até que eu pudesse arriscar um beijo certeiro. Ela correspondeu. Outros beijos se seguiram. <br><br><br>Ela estudava no Beatíssima Virgem Maria e eu no Vocacional Oswaldo Aranha. Uma vez por semana ia buscá-la na saída de sua escola levando até um quarteirão próximo de sua casa. Encontrávamos aos domingos na porta do cinema.<br><br>Durou cerca de três meses. Foi muito boa a aprendizagem… Depois perdemos o contato…<br><br><br>E-mail: [email protected]