Santana antiga

Após ler as crônicas editadas é muito difícil usar algum fato novo. Então talvez eu seja repetitivo. Mas Santana no fim da década de 40 e durante toda década de 50 era muito interessante ou nós éramos jovens e achamos isso. Mas me recordo muito bem do Grupo Escolar Buenos Aires na Cruzeiro do Sul com o Diretor Senhor Pete, que impunha muito respeito, e da Professora Loretana, parece que ainda está viva e forte.<br> <br>O que hoje se chama de "bullying", eram brigas de moleques na saída da escola. A briga começava lá dentro e marcava-se o final para a saída. Fazia-se um risco no chão, cuspia-se no lado do outro, como se fosse um desafio e começavam a rolar pelo chão e a molecada em volta gritando. Nunca ninguém morreu. Passava em frente, da escola, o trenzinho da Cantareira e eu e os outros garotos colocávamos pedras nos trilhos na esperança de que o trem descarrilasse… Quanta bobagem.<br> <br>As carteiras eram duplas com um lugar para o servente colocar a tinta na qual molhávamos a caneta de pena de aço. Era uma “lambuzeira” total. Usava-se mata-borrão. Mas da primeira professora, em 1949, eu não me esquecerei jamais. Era uma senhora idosa muito bondosa, cujo nome esqueci. Tirávamos fotos todo ano e eu ainda as tenho.<br> <br>Em 1952 fiz a admissão ao Colégio Salete, hoje já demolido. Lá o interessante eram os jogos de basquete e hóquei sobre patins. Meus amigos Gallo, Mesquita e outros jogavam muito. No Basquete o Pirica, David, Grene(?) . O bedel era o Senhor José Veneziano. As garotas eram lindas e difíceis. Nem tanto. Fiquei no Salete até 1959 quando conclui o Científico.<br> <br>Aí partimos para o Anglo Latino, cursinho na Rua Tamandaré. Trabalhava de dia como office-boy no centro de São Paulo e estudava à noite. Era muito difícil. Todos eram pobres. Luxos: geladeira, rádio, TV depois, telefone. Morávamos no fim da Rua Salete, no famoso Beco da Bosta, pois não havia esgoto canalizado e era a céu aberto. Havia a chácara do Senhor Arlindo, um português muito famoso, que fazia umas “sardinhadas” de vez em quando. Meu amigo Groselha deve lembrar-se bem disso. Espero que ele leia isto.<br> <br>Tínhamos nosso time de futebol que disputava com a turma da Travessa Sandreschi. Morávamos em uma vila e as moças eram a Salete, a Cléo, Marilena, Branca e a Nininha irmã do Groselha. Havia também uma moça cujo apelido era 1001 por causa das falhas nos dentes da frente. Maldade hein…<br><br>Hollywwod, Vogue, bondes, motorneiro Bailarino, Polar, Comércio, Clube dos médicos, Tietê, Floresta. Dá saudades, mas hoje está melhor. Havia muita pobreza. <br><br><br>E-mail: [email protected]