Cinemas dos anos 50

No final dos anos 50, já rapaz e dono do meu nariz (seria mesmo?), era vidrado em cinema. Aos poucos fui descobrindo o fascínio que o filme despertava nas pessoas e que era a principal fonte de lazer, juntamente com o futebol, pois televisão só os rico podiam ter, assim mesmo os programas eram produzidos em preto e branco e a princípio somente algumas horas, graças ao pioneirismo da TV Tupi canal 3.<br> <br>Automóvel só mesmo as classes mais abastadas, então o jeito era na sola mesmo, um ”752 da Vulcabrás” e vamos à luta, atrás de um bom filme. Tínhamos salas de todo o gênero, luxuosos, atapetados e com poltronas em couro na sala de espera, como era o caso do Marrocos.<br><br>A maioria situava-se no centro da cidade – a Cinelândia Paulistana – havia salas de espetáculo de alto nível como o Paissandu, que exibia épicos do tipo "Os dez Mandamentos", "Sansão e Dalila" filmes oriundos da terra do cinema, onde Tio Sam exportava para o mundo, mega produções da MGM, Warner Bros, Paramount, United, Colúmbia Pictures, Republic (este exibia bastante faroeste )e estrelados por Roy Rogers, Rock Lane, o insuperável, John Waine e muitos outros. Quem não se recorda de "Shane – Os Brutos também Amam" com Alan Ladd, e Jack Palance?<br><br>Ainda na Avenida Ipiranga destacava-se, imponente, os cines Ipiranga, em fronte ao Marabá, e logo adiante na Praça o República e na Avenida São Luís, o Copam, junto ao Edifício Itália. Na Rua Aurora, (salvo engano), havia o recém inaugurado Cine Áurea especializado em filmes franceses, do gênero sensual, tão bem dirigidos por Roger Vadam, marido de Brigite Bardot, retratando o "bas fond" das noites parisienses, incluindo as famosas bailarinas do "Folies Bergère".<br><br>Eu, como muitos jovens de minha época, ansiava pela hora de completar 18 anos, para ter acesso a gêneros mais apimentados e sensuais. Certa noite daquelas, não resisti, faltavam ainda alguns meses para a maioridade, reforcei o caixa e fui decidido, mirei o imponente portal do Cine Áurea, e sob olhar desconfiado do porteiro, fui ver pela primeira vez os filmes proibidos de Brigite Bardot e trailer com Sophia Loren e Cláudia Cardinale.<br><br>Na verdade, assistir filme no Cine Áurea equivaleria às preliminares, para outras incursões naquela área conhecida como "boca do lixo". Para falar de cinema e de filmes precisaríamos de muitas páginas, para relembrarmos as delícias da sétima arte. Havia programação para todos os gostos, inclusive alguns cinemas de arquitetura antiga, que caíram em decadência, foram demolidos como o Cinemundi e o Santa Helena, por ocasião da junção da Praça Clóvis Bevilacqua com a Praça da Sé e ainda os Cines Cairo e Jussara na Rua Formosa.<br><br>Como este autor é "cria" da Zona Leste, vamos enumerar algumas salas mais frequentadas da região. Iniciamos com o Piratininga, na descida da Avenida Rangel Pestana, que até o final da Celso Garcia e bairros limítrofes tinha salas para atender aos frequentadores da região. <br><br>O Brás Politheama; o Colombo no Largo da Concórdia, que teve um incêndio; tivemos ainda os Cines Universo, Roxi São José no Largo do Belém; o Vitória na Água Rasa; o São Luiz, São Geraldo e São Jorge no Parque São Jorge e Tatuapé; o Leste na Praça Silvio Romero; o Califórnia na Vila Gomes Cardim; o Carrão na Vila Carrão; o Pagé na Emília Marengo; o Guanabara na Vila Formosa…”Ufa” daqui à pouco chego em São Miguel e não enumerei, ainda, nem 10% das salas.<br><br>Peço paciência ao abnegado leitor desta crônica, que certamente há de lembrar-se de sua sala de espetáculo preferida e de outras que tenha conhecimento e que aqui foram esquecidas por absoluta falta de memória do autor. <br><br>Um abraço a todos.<br><br><br>E-mail: [email protected]