Outro dia, "fuçando" nas minhas coisas, encontrei uma identidade do clube, descrito no título o seguinte: ex-dependente n. º 5.1/4003. Para quem não sabe o que é isso, não sou ex-dependente de drogas, mas na época eu havia feito 18 anos e, por isso, desliguei-me umbilicalmente de meus pais, pelo menos para o clube.
E me veio à lembrança os bons momentos de minha vida que ali passei, desde o ano de 1966, quando eu tinha 12 anos. Lembro-me do primeiro dia em que ali adentrei e de como fiquei abismado com o tamanho da piscina, com a existência de um trampolim e com a quantidade de campos de futebol e de salão, o que me permitia gastar minhas energias de menino.
Aprender a nadar foi rápido e jogar futebol então, foi só formar os times. Entre as partidas ganhas e perdidas fiz muitos amigos, estava no clube praticamente todos os dias. Desafio mesmo foram os saltos de trampolim, mas após vencer o medo e as inúmeras barrigadas esse também deixou de sê-lo.
E assim seguia minha vida até os 14 anos, quando tive um estirão, e que menino alto e desengonçado eu fiquei, nada mais natural que descobrisse o basquetebol. No basquetebol fiz parte do time oficial do clube e lembro-me de meu técnico o Sr. Giácomo Nigro, do Diretor Sr. Durval e muitos outros que me iniciaram no esporte e me prepararam para a vida.
Como time, nós nunca fizemos feio e entre jogar contra o Palmeiras, o Corinthians, o Sírio e outros clubes maiores, em um renhido campeonato Paulista nunca fizemos feio, apesar do poderio de nossos adversários.
Agora o que esperávamos com ansiedade eram os "Jogos da Primavera", todos realizados no mês de Setembro, do qual mais de duzentos colégios participavam e era uma semana só de paquera, namoros, festas, jogos muito disputados e de “cabulação” de aulas!
E como se esquecer daqueles desfiles imponentes, de todos os participantes, que percorriam toda a Rua Silva Bueno abrindo os "Jogos da Primavera"? Até hoje me recordo das fanfarras. Como era vibrante, como era bonito!
E porque não falar dos namoricos, dos bailes e, principalmente, das Domingueiras – onde tocavam os melhores conjuntos da época: Folhas, Komphas, Sundae, Vat 69, Bottons e outros que não me recordo. Mas tudo na vida tem começo e fim. Lembro-me que tive que servir o exército, que casei, que mudei de cidade e o meu querido Clube Atlético Ypiranga permaneceu firme!
Outro dia, depois de mais de 30 anos, estive em Sampa e a saudade bateu mais forte e fui visitar o "Vovô da Colina". Que surpresa ao revê-lo e perceber que está remodelado e cada dia mais bonito, causando-me um misto de boa impressão e orgulho.
E termino meu texto desejando que ele continue tendo vida longa e formando bons cidadãos, pois sempre me restará a saudade.
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