Nesses 250m2 foi construído então, a capelinha de aproximadamente 150m2 com telhado em duas águas, sem forro, porém as madeiras do telhado eram pintadas de marrom, os bancos eram separados em duas fileiras, na entrada, no lado direito havia o confessionário e na porta de entrada havia a "garrafa" de água benta, hoje confessionário e água benta são peças de museu.
O lote escolhido era lamacento, tinha uma mina d'água, onde os animais do Senhor Abrantes vinham beber água e alguns moradores também vinham tomar dessa água, apesar do barro e da umidade todos acharam o local bom por ser central no bairro. Na mina tiveram a ideia de fazer uma gruta, ela foi construída antes da igreja em 1949, antes do Senhor Joaquim ir a Portugal para trazer a Santa.
Essa gruta foi construída abaixo do nível da rua com uns 2m de profundidade e para acessá-la descia-se uns degraus de concreto, ela tinha uma largura de 2m e comprimento de 4m, isso para melhor aproveitar o veio d'água. O Senhor Joaquim tinha uma Santa em casa, era a Nossa Senhora Aparecida e ela foi trazida em procissão da casa do Senhor Joaquim até a gruta, onde ficou por muitos anos, em um pequeno andor. Na parede da gruta, na base da Santa, em uma placa tinha uma frase que dizia:
– "Vem a fonte, bebe, lava-te e pede pelos pecadores".
Essa fonte saciou a sede de muita gente, todos vinham beber e levar a água para casa, até por motivo religioso. Em 1976 ela foi desativada devido à infiltração de gasolina que vazou de um posto (que ficava na esquina da Estrada de Itapecerica com Rua Dr. Brenha Ribeiro, posto que não existe mais). Antes de aterrar a fonte, o Padre Mauro pedia às pessoas que não bebessem daquela água, pois elas não eram carro.
Desde então a Santa Nossa Senhora Aparecida está em uma capelinha que fica ao lado da nova igreja, fica do lado esquerdo de quem entra. Até 1956 os Padres que rezavam missa na igreja de Vila das Belezas vinham do Capão Redondo ou de Santo Amaro, Chácara Santo Antonio, do Verbo Divino, só em 1957 a capelinha passou a paróquia e o primeiro Padre foi Zacharias Carboni com o qual fiz a primeira comunhão em 1961.
O primeiro casamento na Vila das Belezas foi de Maria Nunes Teixeira, filha de Joaquim Nunes Teixeira (que depois passou a se chamar Figueira, sobrenome do seu marido) em 25 de Junho de 1960, antes ninguém queria se casar nessa igreja por causa do seu tamanho. As pessoas iam se casar na igreja do Capão Redondo ou de Santo Amaro. Esse dia foi uma alegria contagiante, encomendaram o órgão no Verbo Divino, as irmãs de Maria fizeram todos os preparativos no dia, tinha gente até na rua para ver o casamento, depois disso a igreja começou a receber outros matrimônios.
Vale salientar que em nossa região tinha outra capelinha, onde Dona Maria Nunes Teixeira fez a primeira comunhão em 1.944, era a igrejinha de Nossa Senhora da Penha, conhecida por Penhinha, na entrada da Vila das Belezas com Jardim São Luiz, onde hoje é o Extra João Dias.
A capelinha de Vila das Belezas realmente era tão pequena que na missa que tinha aos domingos os fieis ficavam na calçada e até na rua para ouvir o Padre falar, mas de lá não se ouvia bem e não se via nada e este que escreve foi testemunha disso, quantas vezes eu e minha mãe ficamos do lado de fora da igreja.
O Senhor Joaquim na época do loteamento da parte baixa de Vila das Belezas (Vila Nova das Belezas), local entre a Estrada de Itapecerica e o córrego do morro do "S", além de ganhar dois terrenos para a igreja velha acabou comprando também três lotes em frente á gruta como um investimento futuro, em um total de 750m2 (três terrenos juntos de 10m x 25m), onde seria a nova igreja. Um lote era de 250m2 com frente para a Atual Rua Manuel de Oliveira Falcão, rua da igreja e dois lotes de 250m2 cada com frente para a Rua Rafael de Proença, rua de trás da igreja e com entrada para a secretaria da igreja. Sabendo disso os Padres pediram esses lotes para a igreja. Os filhos dele retrucaram:
– “agora a igreja quer tudo, assim não dá”.
Então, acabaram vendendo os lotes para a igreja, receberam o dinheiro, porém depois da chegada do Padre Mauro e vendo a dificuldade da igreja, acabaram vendendo os outros dois terrenos que ficavam próximo ao córrego do morro do "S", que passa por aqui na Vila das Belezas, e doou o dinheiro à igreja, foi como se tivessem doado os terrenos para a igreja nova.
O terreno da futura igreja ficou com um total de 750m2, mas a igreja precisava de aproximadamente 1000m2, porém ao lado desse terreno, comprado pelo Senhor Joaquim, tinha um lote com uma casa que era de um Senhor Português que construiu a casa geminada e foi proposto para ele: se desfazer dela, ele falou que não dava, que não vendia a sua parte a não ser que a igreja fizesse uma outra casa do lado da gruta, pois a mesma não ocupava o terreno todo e daria para fazer a troca e assim foi feito, com muito esforço a igreja e os moradores fieis construíram uma casa igual a outra ao lado da gruta e o Português mudou para lá, assim o terreno da futura igreja ficou regular com 20m de frente por 60m de profundidade. Tudo isso por volta de 1.958.
Ali foi construído primeiramente um galpão de madeira provisório, onde se realizava missa nos horários devidos e nos outros horários tinha teatro, cinema, esse galpão era conhecido pelo nome de Cine "taubinha", porque era construído de tábuas, “tábuinhas”.
Um fato triste ocorreu na época da construção da igreja nova, ainda de madeira, em um certo sábado de 1960, em uma quermesse, foi pendurado um alto falante como sempre se fazia e neste dia esse aparelho caiu sobre a cabeça da esposa de um vendedor de pipoca, o Senhor Adonis que era morador da Rua Luiz Schimidt, já um Senhor de “certa idade”, ela teve morte instantânea.
A construção da igreja continuava e o que deixava as pessoas apreensivas era o fato de que a igreja estava em obra sem um Padre fixo para comandar, até a chegada do Padre Mauro. Depois de pronta a nova igreja o Padre Mauro derrubou a velha Capelinha e construiu um sobradinho que serve até hoje como casa paroquial, de festas, para aulas catecismo e cursos em geral.
Como em muitas igrejas a obra final nunca fica pronta, sem contarmos com as reformas de telhado, novos bancos e nova pintura. Na igreja da Vila das Belezas teve um item que nunca foi concluído, foi a torre, apesar de estar pronta a fundação, nenhum Padre ainda assumiu esse item que é uma característica importante da igreja, quem sabe com um novo Joaquim Nunes Teixeira, Vitório Schola e outros abnegados consigamos essa torre.
Que Deus seja louvado e não esqueça seus filhos abnegados que lutaram em prol da divulgação da fé cristã.