No ano19 70/1971 eu havia operado meu joelho e estava me recuperando. Em um domingo à tarde jogaria no campo do STIF ao lado do Maria Zélia, Parque da Mooca e Portuguesa do Carandiru. A Portuguesa era feito o tal do laço, ou seja, era um clube que quando ia fazer um grande jogo pegava jogadores de vários clubes de várzea e formavam um esquadrão. Em uma final de mundial lembro que um clube brasileiro fez essa jogada, não lembro o nome do clube, e perdeu o jogo.<br><br>Afinal, não sei se era jogo do campeonato Libertadores ou do campeonato Mundial, parece-me que um dos jogadores era o Túlio Maravilha, enfim quando vi entrar em campo o goleiro do time da Portuguesa do Carandiru, adivinhem quem era, meu amigo Caveira,do outro lado do campo o time do Parque da Mooca. O jogo foi eletrizante. Na Portuguesa jogavam vários craques profissionais como o Tuta ponta esquerda, irmão do Zé Maria do Corinthians.<br><br>O Parque como sempre com uma torcida enorme. No final do jogo o resultado era Portuguesa 2 x 1 Parque. O juiz terminou o jogo com a bola nas duas mãos do goleiro Caveira. De repente o Senhor Arnaldo presidente do Parque entra em campo e pede a bola ao goleiro Caveira. <br><br>Não sei por que trocaram tapas e ofensas, o time do Parque já estava se retirando de campo, alguns jogadores viram a cena, voltaram para o campo e saíram atrás do goleiro Caveira, este quando sentiu o “drama” saiu correndo, tinha umas vinte pessoas entre jogadores e torcedores. Quem conhecia o Caveira, eu mal podia correr, entrou no campo acudir o amigo. De repente, quando já estavam bem perto do goleiro, apareceu o salvador da pátria para o Caveira, nada mais nada menos que o Zé Índio que já havia jogado com ele no APEA. <br><br>O Zé era um cara muito gente fina nunca o viu sendo covarde ou se aproveitando da situação. Um cara que era exemplo. Ele com um dos seus braços segurou e abraçou o Caveira e com o outro pedia para que todos parecem, duvido que outra pessoa conseguiria o que o Zé conseguiu,depois que tudo se acalmou, foi desculpas para lá, desculpas para cá e ficou tudo bem. <br><br>Na semana seguinte encontrei meu amigo Caveira na Rua Maria Domilia no Brás, fui lá para tirar um “sarrinho”. Não é que quando ele me viu eu comecei a apontar o dedo para ele e demos muita risada, então disse a ele: <br>- poxa eu não sabia que o Zé era seu anjo da guarda,<br>e demos muita risada. <br><br>Um grande abraço a meu amigo grande goleiro Caveira onde ele estiver, pois em meu coração ele sempre esteve. Chico da Barão.<br><br><br>[email protected]