Esta história se passou na Rua Tuapé, número 55 (atual 51), no bairro da Penha de França, em 1960. Minha família morava ali há muitos anos, a casa ficava em um terreno de aproximadamente cinco mil metros quadrados entre as ruas Tuapé, Caquito e Padre João.
Brincávamos muito nesta época, eu tinha seis anos de idade e não tinha entrado na escola (que um ano após entrei no Colégio Santos Dumont). Gostávamos de fazer esconderijos e em uma dessas vezes cavamos muito a terra que ficava próxima ao muro da propriedade dos italianos.
Estávamos em quatro meninos: eu, Gilmar, Fábio e outro que agora não me lembro. De manhã, cavamos fundo e começaram a aparecer jóias e moedas. Primeiro veio um colar de pérolas. Ficamos maravilhados. Quanto mais cavávamos, mais apareciam metais amarelos e reluzentes.
Mas com o barulho, surgiu em cima do muro o senhor “M.”, nosso vizinho italiano temido no lugar pelo fato de já ter sido preso e ferido por brigas no bairro com outros malandros. O tal italiano ordenou nossa saída do local imediatamente. Obedecemos. À tarde voltamos ao local da escavação, mas haviam colocado concreto em cima.
Não pudemos mais mexer no local. Anos depois os italianos mudaram para Sorocaba. No local do tesouro foi construída uma Igreja. Fui uma vez até lá e tentei achar o local onde o tesouro havia sido enterrado, mas não me lembrei. Não sei se o tesouro ainda está enterrado naquele lugar, e talvez nunca ninguém saberá.
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