O ano era 1954. Lá ia eu toda eufórica, dar início ao primeiro ano no Grupo Escolar João Vieira de Almeida, situado na Avenida Guilherme Cotching (Vila Maria Baixa), hoje conhecido como Escola Estadual João Vieira de Almeida.<br><br>Meu coraçãozinho só faltava saltar boca afora, a mala de couro que eu insistia em carregar, pesava mais do que eu que era magrinha. Essa mala tinha que durar do primeiro ao quarto ano. Aquele cheiro de material escolar novo me inebriava, aflorando todos os meus sentidos, era delicioso o cheiro da madeira do lápis de cor, do estojo contendo dentro o lápis preto “Fritz Johnsen”, a borracha, a régua e o apontador, das folhas pautadas, dos cadernos de brochura, desenho e linguagem, do vidrozinho de cola "goma arábica" e nos anos posteriores, das canetas de madeira com pena metálica e tinta nanquim, além do mata borrão. Havia também o alongador de lápis, para que pudéssemos usar os mesmos até o fim.<br><br>Os cadernos eram grampeados pela parte central e se retirássemos alguma folha ele despencava. Para evitar essa tragédia, nossas professoras, nos faziam desenhar folha por folha numerando-as e se por ventura tivéssemos errado a lição, dobrávamos a folha sem retirá-la. Caderno com "orelhas" nas folhas nem pensar! Quantas vezes eu passei os cantos do meu caderno a ferro quente para não levar bronca.<br><br>As carteiras modelo "Brasil" eram de madeira e ferro, uns sentavam-se na frente (banco), outros escreviam no encosto onde se formava uma mesa. Você não podia mexer no banco que seu amigo reclamava que a letra estava saindo borrada.<br><br>Na sala havia um armário de vidro e madeira, onde eram guardados os cadernos de classe. O livro principal era a "Cartilha Caminho Suave", de Branca Alves de Lima, era um livro lindo, todo desenhado e com cores vivas, criado em 1948 e utilizado até 1990 como o livro que mais alfabetizou nossos pimpolhos na época. Havia ainda um livrinho de "Ensino Prático de Tabuada”, onde aprendíamos as quatro operações em forma de tabuada.<br><br>A aquarela, a massinha de modelar e o lápis de cor eram nossos materiais de desenho além é claro do caderno de desenho pequeno para esse fim. Em toda mesa do professor existia um globo terrestre, destinado às aulas de geografia e história. Nossos cadernos eram ilustrados com "decalques" com motivos variados que cuja figura se soltava quando colocada na água e assim a transportávamos para a folha de destino.<br><br>Todos tínhamos lancheiras que continham além do lanche, uma garrafinha com líquido e um copinho "sanfonado" para bebermos água, às vezes comprávamos o lanche na cantina.<br><br>Após o quarto ano primário tínhamos que prestar o exame de "Admissão ao Ginásio" hoje chamado de Ensino Fundamental II. Alguns livros mais usados eram: “Tesouro da Criança”, “Emília no País da Gramática” e “Vamos Sorrir”. Havia ainda um encarte que o Biotônico Fontoura presenteava a garotada com a história do Jeca Tatuzinho de Monteiro Lobato, visando trabalhar a higiene pessoal.<br><br>Tínhamos aulas de: linguagem (português), desenho, religião, educação moral e cívica, história e geografia (estudos sociais) e aritmética(matemática). Tinhamos também aulas de canto orfeônico. Nossas pesquisas eram feitas nas bibliotecas públicas ou particulares e as enciclopédias "Barsa " e "Delta Larousse"eram a nossa salvação.<br><br>A mestra usava o mimeógrafo para reprodução de textos escritos ou desenhos e funcionava com tinta e álcool. Pois é, concluindo, hoje temos tudo, nossas crianças vão à escola onde ganham uniforme, material escolar, mochilas e merenda. Lá tem internet e o aluno entra atrasado, comportamento anteriormente não permitido.<br><br>Hoje o aluno pode tudo, só não vemos neles a vontade de estudar, o compromisso individual de dar o melhor de si. Parece-me que o jovem de hoje já nasce cansado,as coisas simples já não têm graça. “Tudo é “careta”, “ não estão a fim".<br><br>Fico muito triste quando quero passar algo interessante e motivador que venha servir mais tarde para eles, porém noto que cada dia estão mais apáticos, vivem conectados no celular o tempo todo, não criam nada, copiam tudo, só dão valor as coisas materiais deixando o emocional de lado, faltam-lhes compaixão.<br><br>Que pena! Eles só sentirão falta do que perderam quando não tiverem nada para recordar. Entretanto não me dou por vencida, sempre há um "trigo" no meio do "joio".<br><br>Assim espero!<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>