Meu nome é Luiz Albert Canales. Sou professor na Kyoto University of Froeign Studies, na cidade de Kyoto, no Japão. Sou também o autor de "Imperial Gina – The Strictly Unauthorized Biography of Gina Lollobrigida" (Boston, 1990). A edição brasileira do livro, datada de 1996, leva o titulo de "Gina Lollobrigida – A Biografia não autorizada da Venus Imperial”.<br> <br>Sou filho de Henrique Canales, um dos pioneiros da TV Tupi (Canal 3(4)), ou era quatro e depois passou para três, não me lembro.<br> <br>Chegamos a São Paulo no inicio dos anos 50, após meus avós terem vendido o Circo Teatro Oni, de onde surgiram os primeiros artistas da TV Tupi: meu pai, Henrique Canales, minha tia Cachita Canales (depois conhecida como Cachita Stuart), Walter Canales, meu tio (depois também optou por Stuart), e Adriano Canales (meu primo, filho do Walter, que ficou também conhecido como Stuart). Meu pai manteve o nome Canales.<br> <br>Meus avos paternos, de origem espanhola e italiana, eram os Canales. O sobrenome Stuart, vem de minha bisavó paterna, que era escocesa. Somos de origem circense. Inclusive meu primo Oscarito, (sim, o Oscarito do cinema) veio do circo, era espanhol e chegou ao Brasil ainda menino.<br> <br>Minha vida em São Paulo, dos dez anos de idade, quando chegamos à capital, até quando completei 20 anos, foi vivida praticamente nos estúdios e corredores da Tupi e da TV Canal 3. Naqueles anos (até que me mudei, sozinho, para os Estados Unidos) era comum conversar, ou cruzar nos corredores com Lolita Rodrigues, Luiz Gustavo (era conhecido por Tatá), sobrinho do Cassiano Gabus Mendes, diretor artístico com quem meu pai não se dava bem, mas era amigão do Luiz Galón.<br><br>Eu fazia pontas (extras) e nos estúdios encontrava Eva Wilma, Walter Avancini, Márcia Real, Wilma Bentivenha, e contracenei com Davi José. Participava também do “Teatrinho dos domingos” do Julio Gouveia. Minha vida em São Paulo era a TV Tupi. Daquela época me lembro ainda de Sonia Maria Dorce e do pianista, Chico Dorce (seu pai). Lembro-me também de Fernando Baleroni, Francisco Negrão, Tânia Amaral, Hebe Camargo, Lima Duarte e tantos outros. Era uma enorme família, e como em todas as famílias, nos cantos dos corredores, por trás das câmeras, corriam as fofocas, as intrigas e as punhaladas como em uma obra de Shakespeare.<br> <br>Minha mãe, Santa Braguim Canales, era também de circo. Era loira, alta, uma mulher linda; pode-se dizer que era a versão brasileira de Verônica Lake, atriz de Hollywood dos anos 40. Mas minha mãe não teve sorte na Tupi. Talvez por motivos de politicagem, visto que por trás das câmeras meu pai não se dava bem com certos diretores: Rui Aranha, o Cassiano e não me lembro mais quem.<br> <br>Mas na ocasião da armação publicitária para o lançamento radiofônico da novela "O Direito de Nascer," os produtores armaram da seguinte maneira: durante um programa de auditório, uma senhora da platéia subiria ao palco e interromperia o programa. Essa senhora, desesperada, pediria para que a ajudassem encontrar seu filho desaparecido, ainda infante. Naturalmente essa representação teria que ser super original, e interpretada por uma atriz desconhecida.<br> <br>Os produtores então procuraram minha mãe e lhe ofereceram essa oportunidade. Almejando uma carreira artística na TV Tupi ela aceitou. Até então pouco tinha aparecido perante as câmeras. Tenho duas ou três fotos dessa época, e em uma delas faz o papel de uma mãe doente, em uma produção de Julia Gouveia. A filha era Lucia Lambertini.<br> <br>Pouco maquiada, para aparentar mais idade ao publico, mas de maneira que a platéia não percebesse a maquiagem, subiu então ao palco. Como ninguém poderia saber do plano, tudo deveria ser original, natural. Ao tentar subir ao palco foi impedida, mas não conseguiram. Sua representação foi sensacional. Não houve quem não comentasse nos estúdios das emissoras. Apenas os moleques do bairro do Sumaré, onde se encontrava a TV Tupi, descobriram a trama e me disseram na rua:<br>- "Luiz, sua mãe está te procurando”.<br><br>Lendo artigos do São Paulo Turismo na internet, decidi colaborar com esta pagina.<br> <br>Dos Canales/Stuart, que foram pioneiros da rádio televisão no Brasil, hoje ainda vivem Cachita Stuart (86 anos) e Adriano (68 anos). O Alfonso Stuart, grande ator de teatro do Rio de Janeiro, meu tio, já é também falecido. Não me considero um pioneiro, pois o que fiz foi muito pouco perante as câmeras: publicidades, pontas, extra, e um papel que outro, como em "Macbeth" na TV de vanguarda de Dionísio de Azevedo, e teatros do Julio Gouveia. Também fiz dublagens de Elvis Presley até meus 19 anos.<br> <br>Minha vida em São Paulo foi um sonho nesses anos, uma delícia. Hoje relembro tudo e me bate a saudade, a tristeza de que tudo acabou. As novelas continuam e os shows não param, mas o "glamour" acabou. Não é mais como foi, nem poderia ser.<br> <br>Volto sempre a São Paulo, duas vezes por ano, e ao passar de ônibus pela Avenida Alfonso Bovero, no Sumaré, lembro-me com nostalgia aqueles anos e me vejo entrando pelo portão. Hoje tudo foi reconstruído, as localidades são as mesmas e as pessoas são outras, a atmosfera é outra. Mas a “caixa d'água” e seu jardim, onde uma vez, ou mais, Homero Silva celebrou aniversários do Clube do Papai Noel e a mesma.<br> <br>Ha muito, muito mais o que contar. Material não falta. Inclusive fotos, tenho muitas. <br> <br>Obs.: Na internet, ás vezes, meu nome aparece com "s" e não "Luiz". Mas as duas formas estão corretas. Para confirmar podem procurar Luiz Canales Quata. Quata é minha cidade natal, no interior de São Paulo. Nesse site, a cidade mantém minha mini biografia, se houver interesse.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>