Todas as manhãs, caminhando, levo meu neto à escola. Não fica muito longe de casa, são sete minutos andando calmamente. Atravessamos a Rua Coelho Lisboa, a Rua Serra de Japi e por último a Rua Euclides Pacheco. Nosso costume é atravessar as ruas no semáforo ou então na faixa de segurança, onde nos sentimos mais seguros. Mas, infelizmente, não é bem assim. Insegurança é o que não falta, pois nem sempre encontramos motoristas que respeitam as regras do trânsito.
Quase todos os dias somos vítimas de motoristas apressados e que não respeitam semáforos, faixas de segurança, muito menos as crianças uniformizadas carregando a pesada mochila e que estão a caminho da escola.
Ensinar ao meu neto sobre as leis do trânsito e que a faixa de segurança, quando não há semáforo de pedestre, é o lugar mais indicado e correto para atravessar as ruas; parece meio sem sentido quando vivenciamos todos os dias motoristas que atravancam a faixa quando o trânsito para impedindo que se atravesse a rua com segurança. Os pedestres ficam sem escolha ou esperam o trânsito melhorar ou se arriscam atravessando a rua entre os carros.
Outro dia, eu e o meu neto estávamos no meio de uma faixa de segurança, na Rua Serra de Japi, quando veio um carro muito apressado nos obrigando a parar na metade da rua para que ele passasse, caso contrário, iria nos atropelar. Foi um grande susto, mas o pior é que o motorista era um pai que levava seu filho também para escola, assim como eu, a única diferença é que ele estava de carro e eu a pé. Com certeza seu filho estava atrasado e por isso tratou de se apressar daquela forma.
Confesso que neste momento veio em meus pensamentos uma frase antiga e muito comentada com os pais na escola em que trabalhei: "Os filhos são os espelhos dos pais". É incrível como não se tem conscientização da importância desses pequenos atos ou atitudes que podem ser marcantes na formação de uma criança. Sei que não fazem por mal, apenas não param para pensar.
Depois disso, vi uma reportagem em uma emissora de TV, sobre esse tipo de infração e falta de respeito no trânsito em algumas cidades do Brasil. São Paulo ainda não ocupa o primeiro lugar dos que mais cometem infrações proporcionalmente à população, mas sinto que ainda temos muito que aprender sobre o assunto, pedestres e motoristas.
Agora com a nova lei, quem sabe o aprendizado e a conscientização do ser humano modifiquem a situação atual e a porcentagem dos acidentes caia nesta cidade de trânsito intenso e em todas as outras que possuem alto índice de atropelamentos e mortes, quer por excesso de álcool ou qualquer outro tipo de imprudência.
Eu continuo ensinando meu neto sobre as regras de trânsito.
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