Em 1963 foi formado um time de várzea no bairro do Brás por adolescentes e com a participação de parentes e amigos de mais idade. O nome do clube era San Remo e jogávamos nas tardes de domingo no Iapi da Mooca, precisamente no campo do Bangu do Glicério ou no campo do APEA, onde hoje esta situada a Aeronáutica, na Avenida do Estado, em frente à fábrica da Arno.
Foi marcado um jogo com um clube da Vila Carrão, um diretor do clube trouxe uma taça para ser o “prêmio” do jogo daquele domingo, a taça fora ofertada por um senhor que trabalhava em um cartório na Rua Visconde de Parnaíba, na esquina com a Rua Piratininga, a taça havia sido adquirida em um amistoso entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o Estudiantes Del Plata, da Argentina. Até hoje não sei como a taça foi parar nas mãos deste senhor.
Começamos o jogo, partida muito agressiva e violenta, até que na metade do segundo tempo saiu um inicio de briga e como o nosso adversário tinha muito mais torcida e seus jogadores tinham mais idade e físico, resolvemos parar o jogo.
O time adversário insistiu bravamente e diante da nossa recusa um dos diretores do time sentenciou:
– “Então a taça é nossa, pois vocês desistiram da partida”.
Depois disso correram para pegar a taça, mas tiveram uma grande surpresa quando chegaram ao local onde a mesma estava… Só havia o pedestal da taça, ou seja, um toco de madeira.
A confusão ficou ainda maior e nós, jogadores, fomos andando pela lateral do Rio Tamanduateí até chegar diante da fábrica de bebidas Antártica até que um dos jogadores do nosso time tirou de dentro da camisa a referida taça e repetiu o gesto imortalizado por Belini, o campeão da seleção brasileira. Achamos aquilo muito engraçado e inteligente da parte dele.
Um tempo depois o funcionário do cartório e ex dono da taça quis revê-la, mas ninguém sabia como encontrar a dita cuja.
Só depois um profissional do Juventus me confessou que havia vendido a tal taça para um comprador de sucatas que tinha o apelido de Pelé.
E-mail: [email protected]