Meus amigos, depois que o Peru entregou o jogo para a Argentina em 1978, naqueles 6×0, fiquei tão nervoso que não esqueço a manchete que vi em uma banca de jornal de São Paulo, do jornal dos Sports do Rio: “Peru sem vergonha!”. Não me esqueço dessa manchete.
Como torcedor estava irritado com a seleção da Argentina, nada contra o povo argentino. Pois bem, fui comprar fogos (rojões) do tipo três tiros para soltar na final da copa, Argentina x Holanda, para a “Laranja Mecânica” (já nem tanto mecânica).
Mas, se aquela bola da Holanda no último minuto, quando estava 1×1 , não batesse na trave, soltaria os fogos um atrás do outro. Mas não deu. Os holandeses perderam de 3×1. Logicamente enfiei os fogos “na viola”, quer dizer, guardei-os. E esqueci que existiam os rojões.
Dois meses depois, em setembro de 1978, minha esposa perguntou:
– “E os rojões?”
– “Pois é… Bem lembrado. No domingo, dia 24, vou com o José Carlos Santana no jogo contra o Palmeiras e quando o Corinthians entrar em campo vamos soltá-los”.
Combinei com o Santana que o pegaria na estação Conceição do Metrô e dali iríamos para o estádio. O problema era como entrar no Morumbi com os fogos. Gente, o Santana é alto e veio naquele dia com a camisa do Corinthians listrada e com uma calça branca. Bem a caráter. Falei para ele:
– “Põe você os rojões nas meias e cobre com a sua calça, porque a minha é mais apertada e vai dar na vista”.
E lá fomos. Entramos sem problemas, ninguém percebeu nada, e quando o Corinthians entrou em campo tinha um guarda próximo nas arquibancadas e não deu para soltar os rojões. Quis o destino que estes rojões jamais fossem espocados por mim.
Para resumir: falta na intermediária para o Jorge Mendonça bater, isto aos 30 minutos do primeiro tempo. Jairo nem via a bola. E para piorar o Jorge Mendonça veio comemorar no lado da torcida do Corinthians.
Aos 12 minutos do segundo tempo, nova falta do mesmo lugar. Jorge Mendonça encaçapou do mesmo lugar e fez 2×0. E novamente veio até nós comemorar. A torcida ficou uma arara e a coisa sobrou para o técnico Teixeira. Toda a torcida do Corinthians começou a gritar: “Fora Teixeira”. Mas o que mais doeu foi a resposta do lado da torcida do Palmeiras: “Fica Teixeira.
Foi de doer.
Mas vamos voltar aos rojões. Nem nos lembramos deles. Deixei o Santana na estação Conceição e fui prá casa. Quando aquela figura entrou no trem do Metrô e sentou, a calça obviamente levantou e apareceram os rojões espetados dentro da meia. Dá prá imaginar aqueles passageiros, que sequer se conheciam, se esborrachando de tanto rir? Foi o que aconteceu. Queria estar lá para ver a cena.
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