Satisfação! Era com esta exclamação que o Pirilo saudava a todos que frequentavam seu bar. Cheguei à Vila Maria em 1955, estudei no CESPEOC (Paulo Egydio), fiz o "primário" numa escola de madeira (Monteiro Lobato) na esquina das Ruas da Gávea e Guaranésia. Assisti a muitos filmes no Cine Candelária, mesmo sem ter idade para tanto.
Ao lado do cinema ficava o famoso Bar do Pirilo, as paredes lotadas de fotografias em branco e preto dos que por ali passavam: políticos, jogadores de futebol, cantores. Todos vinham à Vila para conhecer as famosas batidas do Pirilo, premiadas em muitos concursos, como ele mesmo fazia questão de propagar. Ao fundo do estabelecimento havia uma porta de madeira que se abria nos intervalos entre os filmes, comunicando-se com o cinema e permitindo que os expectadores utilizassem o bar por alguns minutos. Era por essa passagem que eu e outros garotos entrávamos. Pirilo, claro, fazia que não via. Encontrávamos o Pirilo várias vezes pelas ruas do bairro e a um simples "bom dia" vinha o "satisfação". Sempre assim:
– “Pirilo, um chope”.
– “Satisfação!”
– “Pirilo, a conta."
– “Satisfação!”
Casei-me na Igreja Nossa Senhora da Candelária em 1976 e o Juiz de Paz fez questão de realizar o casamento civil também na Igreja, como uma espécie de presente. Após a cerimônia religiosa, à saída da Igreja lá estava o juiz, o famoso homem das batidas: Pirilo. O homem realizou seu trabalho, cumprimentou a noiva com um beijo no rosto e me estendeu a mão, puxou-me bruscamente num apertado abraço e sapecou ao meu ouvido:
– “Muita satisfação!”
Era um convite para mais um chope, antes da viagem de lua de mel, claro!
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