Namorando no Taquinho

No ano de 1954, estudava no período da manhã no Colégio Castro Alves na Rua Teodoro Sampaio, esquina com a Rua Alves Guimarães – Bairro de Pinheiros. A minha classe ficava na parte de baixo do prédio, bem em frente à quadra de esportes, as salas de aula eram de tacos, nós alunos, logo que víamos o professor tínhamos que levantar para recebê-lo. Naquela época o Mestre era muito respeitado, o que não acontece hoje em dia.

Era a primeira aula, eu sentava na segunda fileira e vi um taco meio solto no chão e por curiosidade levantei o mesmo e tinha um bilhete com os seguintes dizeres:
– "Meu nome é Regina, estudo na parte da tarde e sento nesse mesmo lugar. Quem abrir manda de volta", eu logo respondi:
– "Meu nome é Adolpho, estudo na parte da manhã, espero resposta."
E assim fomos trocando bilhetes, até que um dia marcamos um encontro, ela morava na Rua Cristiano Viana, o local escolhido para nosso encontro foi o Cine Rits, na Rua da Consolação quase esquina com Avenida Paulista. Naquela época nós não tínhamos essa comunicação como hoje, o celular, para conseguir um telefone tinha que fazer a sua inscrição na telefônica, que ficava na Rua Sete de Abril e aguardar… Aguardar… E aguardar a instalação, depois de muito esperar a ligação, marcamos às 14h.

Eu cheguei primeiro, não demorou muito tempo e ela chegou, parecia que já tínhamos nos conhecidos há algum tempo, então entramos para assistir o filme. Antes de começar o filme, passava o baleiro com sua cesta vendendo balas, chocolate e outras coisas mais. Assistimos o filme e quando acabou fomos tomar lanche no Riviera Bar, quase bem em frente ao cinema do outro lado da rua. E aí começamos a namorar… Alguns meses depois, ela mudou-se para o Bairro de Santana e acabamos terminando. Esse foi o namoro no Taquinho dos anos 50.

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