Um carnaval com medo

Eu passei muitos carnavais maravilhosos, mas o do Palmeiras de 1967 foi para mim inesquecível! O Palmeiras tinha dois salões de bailes, fora tinha um lindo jardim enorme, com bancos para sentar. Os foliões também se sentavam no enorme gramado, que tinha no jardim. Era uma maravilha!

Mas a minha história desse carnaval começou num carrinho que vendia a maçã do amor. Eu estava comendo uma maçã, quando notei que uma linda loira estava me olhando. Eu fiz um sinal,ela respondeu, e começamos a conversar e acabamos pulando o carnaval juntos.

Foi quando uns amigos começaram a fazer sinal para mim. Eu perguntei o que eles queriam, porque estavam fazendo tantos sinais para mim. Um deles falou:
– “Você está louco?”
Perguntei o porquê e ele me respondeu:
-“Você está dançando com a mulher do Ferminio Abate, ex-boxer e investigador de polícia. Ele já matou um guarda civil em um domingo de carnaval, no restaurante Spadavechia, na Rua Augusta, há anos passados!

Eu fiquei gelado, não passava uma agulha! Fui falar com a linda loira e ela confirmou que era noiva do Abate. Então eu falei:
– “Você quer que eu morra?”
Ela disse que ele era boa gente e depois me apresentou ao Ferminio Aabate como sendo seu amigo (não sei se ele acreditou). O cara era grande devia ter mais de 1,85m de altura e era muito forte, além de andar sempre armado com um 38 na cintura.

Eu queria sair e ir procurar uma outra mulher no salão, mas a loira arrastou -me para o salão e começamos a pular o carnaval. O Ferminio Abate só olhava… Eu perguntei para ela se ele não ligava que ela dançasse com outro. Ela falou: “às vezes ele arruma encrenca, mas é difícil…”. Na primeira oportunidade eu fugi do salão do Palmeiras, pensei que aquela mulher era louca e que queria arranjar confusão.

Depois de alguns anos, a encontrei na Rua Xavier de Toledo, ela reconheceu-me e conversamos… Ela disse que o Ferminio Abate tinha morrido de câncer… Ele teve uma vida muito agitada, com bebidas e drogas. Ela ainda continuava muito bonita, mas não tive vontade de marcar um encontro, fiquei com medo da mulher, ela gostava de viver perigosamente…

Quando ela foi embora, eu fiquei olhando aquele mulherão e pensei: “ali vai um pedaço da minha linda juventude, gostei da sua amizade”. Não sei se ela gostou muito de mim ou queria se aparecer para o seu lindo boxer…

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