Momento no Pacaembu

Havia muita gente e me chamou a atenção o colorido nas arquibancadas lotadas do outro lado do campo em frente a nossa linha de visão. Todos muito alegres e no ar uma expectativa que fazia a todos olhar para o campo, para aquela gente andando com câmeras e microfones, naquela linda tarde de sol ameno.

Não foi fácil vir de Santana até ali, de ônibus lotado, primeiro até o Largo São Bento, depois descendo até o Largo do Paissandu para pegar o circular Avenidas, que nos deixava na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação. Depois entrando por varias ruas transversais sair ali, defronte ao templo, para ver de uma vez pra sempre algo inesquecível.

Foi grande minha emoção quando as equipes entraram em campo e a explosão de fogos e gritos invadiu o ar e retumbou em nossos corações. A fumaça dos fogos quase escondia os jogadores agora se reunindo no meio do campo para fotos e mil declarações.

Foi quando o vi sendo assediado pela chusma de repórteres e fotógrafos, com seu andar característico, sorrindo muito a todos e a todos atendendo.

Ele estava lá! Apenas alguns metros de mim, que o fitava fascinado. O mito! O homem que o mundo inteiro chamava de Rei, trazendo as costas como uma insígnia real o cabalístico número 10 como a dizer a todos que ali estava alguém diferente, alguém que em meio a tudo era capaz de criar, de tirar do nada o gesto genial e inexplicável.

O número 10 apenas a junção do algarismo 1 que representa o “Ser” e o algarismo 0 símbolo do “Nada”. O Ser e o Nada. A totalidade e o vazio. Ambos ali resumidos, como a indicar em seus arcanos que só aos gênios é dado saber ou intuir as duas grandezas metafísicas para que do Nada extraiam o Ser.

Esse era ele! Sua postura em campo, seu domínio dos espaços, o terrível silêncio que impunha ao estádio e aos adversários sempre que dominava a bola, como se tudo parasse, e o tempo, como no conto de Borges, fosse paralisado para que o gênio cria-se sua obra definitiva. Era assim que fazia!
O resto é história…

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