A primeira enchente a gente nunca esquece…

O sonho da casa própria é recorrente para todo casal que está formando a sua família. Não éramos diferentes! Já no nosso 8º aniversário, em 1963, eu e o Alfredo, com dois filhos pequenos, conseguimos o tão sonhado empréstimo da Caixa, muito complicado na época.

E lá fomos nós procurar um imóvel que se ajustasse às nossas necessidades e coubesse no valor financiado. Achamos um sobradinho na Barra Funda que, além dos cômodos necessários, tinha ainda jardim, fachada de pedras, terraço envidraçado: o máximo! A ruazinha era tranqüila e, naquele trecho, absolutamente residencial.

No dia 8 de dezembro mudamos para lá e, no dia 1º de janeiro, quando receberíamos nossos parentes e amigos para um almoço de inauguração, a Rua Solimões tinha se transformado no "rio" Solimões.

Não tenho palavras para descrever o que sentimos; para lamentar tudo que perdemos (inclusive meu vestido de casamento); para expressar a desilusão, o desespero e o desânimo ao ver as águas do Tietê invadirem a nossa casa tão sonhada.

Conseguimos sair de lá somente após sete anos, porque decidimos vender somente para quem aceitasse aquela possibilidade de enchente em verões muito chuvosos. É lógico que a preço vil!

Hoje, quando comento com meus filhos aquele sofrimento, eles me dizem que era maravilhoso e emocionante ir para a escola nos ombros dos bombeiros, com todo mundo olhando. Vejam como a visão da criança é diferente!

O que restou disso tudo foi um respeito eterno pelos bombeiros e toda a minha empatia e solidariedade para quem sofre esse problema, infelizmente comum na nossa cidade.

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