Temos visto em outras culturas o hábito de consolidar os casamentos com cerimônias de aniversário com muita pompa e cartas de intenções lidas publicamente. Em minha casa em São Paulo essa renovação de votos era mais frequente, não esperava datas de aniversariar a união.
Acontecia na mesa de casa na hora do almoço. Podia ser nos fins de semana ou não. Mamãe Zita preparava cuidadosamente a "Bolota de Amor" como havia batizado papai. Ele dizia que quanto maior e mais saborosa, significava que a esposa continuava com o amor em seu coração e cada vez maior. Era a conhecida "porpeta", mas enorme que ocupava toda a panela; pesava mais de um kilo.
Papai tinha o privilégio de cortar aquela beleza gastronômica, mergulhada no molho de pomodoro com todos temperos e especiarias. Era como conceder o corte do bolo ao aniversariante. Ele não era avisado com antecedência e chegava do trabalho na Construtora Grunbilf, e tinha aquela surpresa boa. Gritava:
– "Oba, Bolota de Amor", e abraçava a mamãe.
Hábitos e rituais sagrados de uma família num padrão que não existe mais. Demonstração explícita de amor, companheirismo e coesão. Um forte reflexo daquelas reuniões ficou gravado em nossos corações. Pessoas que muito nos são caras e com tipos inesquecíveis. Saudade, palavra triste, quando se perde um grande amor…
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