A São Silvestre acabou

Anualmente, a partir do 15º dia do mês de dezembro dos anos 60, 70, 80 e 90, o jornal "A Gazeta Esportiva" informava diariamente quais seriam os atletas internacionais que confirmaram presença na São Silvestre de cada ano. No dia 15 saia a noticia: “O inglês “tal e tal”, ganhado disto e daquilo esta confirmado”. No dia seguinte, era a vez do inesquecível belga Gaston Roelants confirmar presença. O público em geral tinha interesse em acompanhar quem iria correr a sensacional emocionante São Silvestre, que iniciava às 23h35, vindo a terminar quando o ano novo chegava.<br><br>O início se dava na Avenida Paulista, defronte o prédio da Fundação Cásper Líbero, e tinha um percurso já decorado por todos. Gaston Roelants, Vitor Mora, José Faria, José João da Silva, Emil Zatopek ( locomotiva humana) e outros que ora fogem-me à memória. Enfim, existia uma tradição onde tudo era seguido regiamente. A São Silvestre era uma disputa desprovida de outro interesse senão à dura disputa.<br><br>O tempo passou… Passou e mudaram a corrida para o período da tarde, deixando a tradição para segundo plano… Mudaram o percurso, e agora nesta edição de 2011, deram o golpe final crucial na São Silvestre: mudaram radicalmente o percurso.<br><br>Gradativamente, a TV que comprou os direitos de algo 100% paulistano, foi mudando, horário, percurso e a São Sivestre nos moldes atuais, perdeu a graça. Não tem mais aquele carisma de outrora. Não tem mais emoção e a única aposta que existe é saber qual atleta vai ganhar a corrida. Esporadicamente o Brasil ganha uma e os quenianos ganham por quatro anos seguidos. <br><br>A coisa se padronizou assim, sem noite, sem competitividade, sem emoção e a tal TV que comprou a São Silvestre, depois de desfigurar toda acorrida, não tem tempo nem para mostrar ao povo paulistano a premiação porque um patrocinador qualquer precisa entrar no ar.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>