Brasilândia e seus bailes

Os bailes eram esperados e programados durante a semana e realizados em nossos quintais, hoje transformados em garagens. Recordo-me de que na frente da minha casa, havia uma cerca, formada por um amarrado de pedaços de madeira com arame farpado.<br><br>Aos sábados colocávamos as caixas do aparelho de som (sonata, a minha era vermelha), do lado de fora da casa. Não havia piso, o solo ainda feito de barro batido, uma espécie de terra socada, que deixava a terra como se fosse um piso de cimento, de tão dura que ficava. Não tínhamos asfalto, nem água encanada ou esgoto canalizado, havia os poços que continham água fresca e saborosa e também algumas bicas espalhadas. Era a Brasilândia dentro de um São Paulo mais jovem.<br><br>Quem chegava era bem vindo, rolava aquele som, regado a muito sol e uma caipirinha que circulava de mão em mão, e de boca em boca, bebericávamos em um mesmo copo, (as doenças consideradas contagiosas, naquela época ainda eram de menor risco, e desconhecidas, bebíamos para curtir , este era o objetivo) durante toda à tarde de sábado.<br><br>Éramos todos jovens, trabalhadores e estudantes de segunda a sexta feira, e o final de semana era para curtir. E nossa curtição eram os bailes realizados em nossas próprias casas com o consentimento e às vezes ate a participação de nossos pais, Verdade! Os pais sabiam o que fazíamos, impunham limites, sem duvida e nos obedecíamos, pois caso contrário acabava a festa.<br><br>Quem se recorda deste tempo ? A rapaziada que dava o som cuidava das bolachas (discos ou LPs), com o maior carinho, pois continham musicas consideradas na época raridade e caras.<br><br>Bem pessoal à moçada da Brasa era tudo de bom, e ainda tinham as minas (garotas), que não eram de ouro, mas eram consideradas como tais, encantavam e brilhavam nas festas de forma natural. Fora isto era sempre bom ter uma lona, para cobrir o terreno, São Paulo nesta época costumava ter garoa na madrugada.<br><br>Ao termino de cada um destes finais de semana, do som que nos curtíamos à tarde, dos bailes realizados a noite, ficava um gostinho de quero mais, uma lembrança gostosa da musica que havíamos dançado com a mina, (garota),dos bate papos ali realizados, e por ai a fora. <br><br>Na segunda feira estávamos todos ali, bem cedinho esperando o ônibus da Viação TUSA, bem ali no ponto final da Brasa, mas em um tempo um pouco mais distante.<br><br> <br>E-mail: [email protected]