Meus amigos Papais Noéis

Eu tive amigos que representaram, em Natais consecutivos, visitando minha casa e as da vizinhança, a querida figura mundial do Bom Velhinho, o Papai Noel.

Eu me dirigia até sua casa e o vestia com as roupas típicas, calçava-o com as botas, e o maquiavam com sua barba, bigode, sobrancelhas e cabelos brancos. O primeiro figurante fui eu mesmo, pois era o primeiro Natal de uma das minhas filhas, a roupa era perfeita e a maquiagem transformou-me totalmente. Só não fui capaz de disfarçar a voz.

O segundo foi o meu amigo, engenheiro da Philco, Rui Barduco, que incrementou a fantasia fazendo uso de um pequeno sino de bronze de um alto som que ele trouxe da Suíça e que avisava as crianças e adultos da sua chegada. Agora o Papai Noel já carregava sobre as costas um enorme saco de presentes dados ás crianças que corriam encontrá-lo nas ruas e para a da casa para onde ele estava indo. Os brinquedos que ele dava eram novos e atualizados iguais aos anunciados pelos fabricantes para o natal do próximo ano.

O terceiro foi o meu colega de trabalho, o meu amigo Sickingen dos Santos, pessoa alegre e brincalhona que bem representava a personagem que as crianças esperavam.

O quarto foi outro colaborador da Volkswagen Caminhões, o Augusto Bento, que exercia suas funções no Controle de Qualidade. Ele era fisicamente a pessoa ideal para representar o Bom Velhinho, era pequeno em estatura, grande em volume e humor. Gentil, educado, religioso e amante do papel que estava representando. Ele jamais deixou de antes da entrega dos presentes, chamar a atenção de todos ao fato de que o aniversariante deve ser sempre lembrado no dia de Natal.

Por que hoje estou me lembrando desses Papais Noéis? Porque hoje não tenho mais filhos que ainda acreditem na sua existência e se esqueceram totalmente deles e também daquele que os levava até eles e comprava os presentes que ele lhes dava nos Natais.

Eu tenho a felicidade de ter recebido de Deus oito filhos saudáveis e perfeitos, mas somente de três recebi no dias dos pais um cumprimento, no dia de Natal e de Ano Novo a mesma alegria se repetiu, eu recebi a visita de três filhos Noéis.

Hoje, meio século depois do primeiro Papai Noel, as pessoas que representavam essa tão maravilhosa figura já não estão mais em nossa dimensão; cumpriram suas missões aqui nesta vida e nos deixaram, devem estar dando presentes, sorrisos e desejando um Feliz Natal para outros pequeninos. Mas, lamentavelmente, foram esquecidos por aqueles que jamais poderiam fazê-lo.

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