Minha infância na vila Monte Alegre

Nasci em 1950 na Avenida Fagundes Filho. Meu pai era um próspero comerciante, proprietário da Casa de Carnes Monte Alegre, que vendia também artigos de mercearia, pão, leite, doces, cereais, etc. Era um pequeno supermercado, embora naquela época eles não existissem. Com isso minha família ficou conhecida no bairro, e meu irmão Nelson, tinha muitos amigos ali.

Estudei na Escola Paroquial São Judas Tadeu, com a senhora Lourdes, e também no nos colégios Jabaquara e Alberto Levy. Apesar de não ser tão "bagunceira" quanto meu irmão, tinha muitos amigos nos bairros de Vila Guarani, Bosque da Saúde (estudei também no Colégio Santa Amália), Jabaquara e Vila Santa Catarina.

Algumas pessoas marcaram minha infância e adolescência, como a família Farah, ‘Seu’ Abdala e ‘Dona’ Sumaia e seus filhos Jorge, Luiz, Issa, Zidam, Farah, Lidia e Adélia. Tinha também a senhora Ermelinda e sua filha Neide, que até hoje mantemos contato (ela já é bisavó). ‘Dona’ Elvira, uma ótima benzedeira, ‘Seu’ Gaspar e a senhora Linda, com seus filhos Áureo, Mitu,Toninho e Zeca; o Mario Tavolaro e a senhora Julieta, Marcos e Jaime; a família Haga: Paulo e a senhora Kasuko, Yassuaki, Pedro, Tetsuo, Alice e Beth (a nossa amizade dura até hoje).

Minha amiga era Ana Emilia Rodrigues, irmã do Naldinho. Tinha também o Arnaldo "barbeirinho" que fazia balões com meu irmão. Todos os anos, no dia de São João, a vizinhança se reunia em minha casa.

Um fato que me marcou muito aconteceu no dia 18 de agosto de 1963. Eu estava no portão com minha amiga Maria Regina Sandoval, quando vi sair de um baile na Rua Almirante Guilhobel, um rapaz com uma faca presa na barriga. Caminhou mais um pouco e caiu morto. Logo em seguida trouxeram o assassino e ficaram esperando a polícia em frente minha casa. Nunca mais me esqueci daquele episódio. O rapaz morto era o Yrobume, que jogava bola no campo do Cruzeirinho com meu irmão.

Lembro-me também do Ernestinho, filho da senhora Santa, do Batatinha, do Toninho, da Neidinha, do Jamilo, da Mima, da Ivani, da Vera. Quantas saudades daquele tempo feliz, e quando penso naquelas pessoas é como se estivesse pensando na minha família. Pode ser que não citei alguém, peço desculpas.

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