Tenho observado que o Centro Velho não perdeu o charme e os autores volta e meia estão nos trazendo novidades. Sobre a Avenida São João, por exemplo, escrevi vários textos e pela importância desta avenida há muito mais para se contar.
Sobre o Centro Velho, em 1967 consegui uma vaga numa empresa de Auditoria, chamada Organização Irmãos Campos de São Paulo, na rua Marconi, acesso entre a Barão de Itapetininga e Rua 7 de Abril.
Nas imediações, a Loja Mappin, a praça Dom José Gaspar, onde frequentemente víamos artistas, cantores, músicos, a época era a da MPB e a Jovem Guarda de muitas recordações.
No Centro Velho, à esquerda de quem esta na Marconi, olhando em direção ao Teatro Municipal, está a região do Largo do Arouche e a Praça da República. E a direita, pelo acesso pelo Viaduto do Chá, no Anhangabaú, a Rua Direita e a Praça da Sé.
Dispensaria comentários o agito e a movimentação de pedestres pelo Centro em busca do trabalho,do lazer (cinemas) e da gastronomia: o churrasco grego da Rua Marconi com 7 de abril, bar e restaurante português da Xavier de Toledo, não lembro o nome, o Salada Paulista na Av. Ipiranga, feijoada mineira aos sábados na Av. São João, lado direito esquina com a Rua Duque de Caxias, se estou bem lembrado, era o centro: "Uma festa!".
As avenidas com tráfego intenso de automóveis, todo cuidado era pouco para evitar atropelamentos.
A noite pelos inferninhos da própria São João e a Rua Aurora que dá acesso a boca de lixo, ruas Bento Freitas e Rêgo de Freitas, boates e casas de shows, inclusive com as mulatas do Sargentelli na rua do Arouche, se não estou enganado.
Lembro de ver e sentir o ambiente intenso dos bares e restaurantes, após o dia de trabalho e a necessidade de reforçar o estômago, com uma boa refeição; e após curtir a noite, caso desse resultados. Nessa época quando ainda muito jovens, nossa diversão era a música, as mulheres, a curtição da metrópole oferecendo todos os lazeres possíveis e imagináveis.
Na Avenida São Luiz até o inicio da Consolação, o terraço Itália recém inaugurado era lugar frequentado apenas pelos aburguesados e abonados, não era para nós escriturários em início de carreira.
Mal dava para o aluguel e as refeições. Roupas a prestações longas, nada para nós importava, exceto viver a vida em intensidade, triunfando ora aqui, ora acolá em empresas que pagavam um pouco mais e as nossas conquistas, que ficaram na memória e na história.
Não pensem vocês que tudo era luz. Havia também trevas no caminho, e como a vida nos ensina muitas coisas, estava sendo preparado o cenário para a volta para casa, tal qual o personagem do patrão, o filho pródigo retornando à casa do pai.
Agora a finalidade é discorrer sobre o Centro Velho, ou o Centro revigorado, parece ser este o termo utilizado para revitalizar o Centro, no passado como tentei escrever, cenários de ricas lembranças traduzidas nas histórias que cada um conta. É uma alegria e satisfação relembrar tudo o que vivemos naquela época que se chamava Anos Dourados.
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