A dança bizarra nos antigos concursos carnavalesco do centro de São Paulo.

Lembro-me de que, lá nos idos da década de 50, quando garoto, trabalhava no Centro da cidade de São Paulo, na Rua 15 de Novembro, no telégrafo Western e percorria diariamente todas as ruas centrais, ora a trabalho, ora a passeio nos finais de semanas, porque, no Centro, funcionavam vários cinemas que ainda exibiam filmes não pornográficos: os famosos faroestes.

Normalmente, na época de carnaval, o Centro era muito movimentado e todos se preparavam para assistir aos desfiles da Av. São João. Um fato que me desperta lembrança que está quase a se perder, porque não encontro referências específicas a respeito, é o que se refere ao famoso concurso de resistência carnavalesca, então realizado sobre um tablado, montado na esquina da Rua Direita com a Rua Quintino Bocaiuva, bem em frente à Radio Record e no terreno em que está construído hoje o Edifício Triângulo, se não me falha a memória. O prédio da antiga Record ainda está lá e abriga, tradicionalmente, lojas musicais.

Pois bem, na época do carnaval o que despertava a atenção era o referido concurso de resistência carnavalesca que atraia a todos, apesar de se tratar de um espetáculo que demandava muito esforço físico e abatia pessoas que, em busca do prêmio, muitos por necessidades, prestavam-se à exibição bizarra das danças feitas com passos lerdos e cabeça pendente no ombro da parceira, vice versa, até para pequenos cochilos. Mas os assistentes vibravam e faziam apostas acerca de qual seria o próximo casal a parar de dançar. A cada dia diminuía o grupo; a cada momento eram mais lentos os passos; a cada minuto saia um casal com choros. E a assistência vibrava, porém dividida entre quem criticava o ato. Terrível era a aproximação do final quando então os "mortos vivos" arrastavam-se na última tentativa do prêmio. Alimentação, água, refrigerantes, cochilos tudo era no ritmo frenético das carnavalescas que serviam para atiçar os coitados dos dançarinos.

Naquela época o circo romano era do povo; hoje penso a respeito e não consigo entender como me parecia interessante a macabra dança ao ponto de me conduzir, juntamente com muitas pessoas ao espetáculo. Ainda bem que tudo acabou, porém gostaria demais informações a respeito.

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