Alunos do Grupo Escolar Barão de Souza Queiroz – Penha

Nasci na Penha em 1950, precisamente em casa, em uma rua ao lado da Igreja de Santo Antonio, por um bom tempo comandada pelo Padre Humberto. Em 1952, nasceu o meu irmão Odair, mais conhecido como "Estopa", que ainda hoje lá reside.

Um belo dia, minha mãe recebeu a visita da dona Laurinha, que nos recolheu para dar aulas de catecismo no salão da Igreja. Não demorou muito, e o tempo livre iria acabar. Começamos a estudar no Grupo Escolar Barão de Souza Queiroz, ainda no prédio velho.

No primeiro ano minha professora foi a senhora Luiza, no segundo ano a terrível senhora Darci, no terceiro ano minha professora foi a senhora Rute e no quarto e último ano foi a senhora Dolores, que assumia também a direção da escola.

Que saudades, dos colegas que ali estudavam e daquele tempo em que tudo ainda era um sonho.

Ainda me lembro de alguns: João Bitente (hoje médico), Vera Lúcia Matera (filha do excelente goleiro do Herói Progresso), Matera, Rubens Rosa (filho do senhor Bento).

Após as aulas, um bom futebol jogado no campinho junto a linha de trem da estação Engenheiro Trindade. E lá estavam: Robertão, Culica, Miguel, Bolão, Marcelo, Jair, Valdir, Luiz Carlos (Bolão), Zé Pelo, Amélio e muitos outros. Tínhamos o Tietê limpíssimo e com peixes, tínhamos a lagoa “cava” para nadar, era uma maravilha. Na minha rua moravam Ronaldo (Nardo, o escoteiro) e Zé Baiano (chegou a ser profissional e jogou na Bélgica).

Tínhamos a lojinha que vendia um pouco de tudo, era comandada pelo senhores Ademar e Agostinho, ficava na esquina da Rua Davi de Mari com a Avenida Gabriela Mistral. Logo adiante, na avenida já citada, tínhamos a padaria do Lito, que nos atendia na venda de leite ainda em vidro, com a tampinha em alumínio.

Em frente tínhamos uma deposito de Ferro: “Ferro e Casa de Materiais de Construção do Nicola”. Do outro lado da Avenida Gabriela Mistral tínhamos o armazém do Mingão e do Nézio, em seguida o armazém do Américo.

Como não se lembrar da farmácia do senhor Salomão, a farmácia do Roberto. Não poderia esquecer-me do bar do Chico Boi, lugar no qual comecei a ganhar dinheiro como engraxate, e com bastante freguesia.

Como era gostoso… As verduras fresquinhas que o Sr. Bento vendia de porta em porta, diretamente da sua chácara.

Aos sábados tínhamos os veteranos do Herói Progresso jogando, lembro-me do Ézio, do Cidinho (alfaiate), do Nézio de goleiro, etc. Aos Domingos pela manhã tínhamos o time principal do Herói, com Zequinha, Pedrinho, Souzinha, Satanás, Tô, Matera, Irineu, Nenê (irmão do ditinho) e outros, era um timaço.

No futebol, lembro-me de um time jovem e talentoso em sua primeira formação com o nome de Santo Antônio, e lá desfilavam o Nereu, o Marinho, o Marcelo, o Palmirinho, o Cido e alguns outros com as camisas canarinho e azul, iguais as camisas usadas pela seleção brasileiras de futebol. Depois de um desentendimento com o pároco da igreja, ele impediu que o time continuasse e recolheu o fardamento.

Mais tarde eu, Culica e Salvador, conseguimos reaver o fardamento e reatamos o time, mas de novo, por causa de desentendimentos, o padre impediu novamente que utilizássemos o fardamento e o nome Santo Antônio, e assim surgiu outro nome: “11 Garotos”, e também um novo fardamento.

Casei-me e mudei da Penha, mas nunca deixei de comparecer ao bairro. Já mais tarde, um novo veterano do Herói Progresso surgiu, e nele pude ver desfilar: Zequinha, Estopa, Fornão, Luiz Carlos, Moisés, Pedrinho, Souzinha e muitos outros, parando em razão do campo ser solicitado, e hoje completamente abandonado.

Não posso deixar de mencionar os amigos do Bahia, do Unidos do Morro e do Jaú. Éramos felizes e não sabíamos. Não podemos esquecer os barbeiros do bairro, tínhamos o Toninho e o Alvinho, com suas freguesias. Particularmente eu preferia o Alvinho, que recentemente nos lembramos de algumas histórias, como o episódio em que ele me segurou depois que desci da cadeira e sai correndo.

Como é bom lembrar.

E-mail: [email protected]