Memórias Etílicas 1

Ano 1961 – dia 28 de Maio.

Estou completando 2 dias após a minha maioridade, meu aniversário foi, na verdade, dia 26. Eu bebemorei a data festiva dia 26, dia 27 fiz uma grande festividade no Recreio das Carpas, salão de bailes que eu freqüentava semanalmente e, no dia 28 estaria festejando a data natalícia junto de minha família.

Minha mãe exímia cozinheira, já tinha se preparado para encostar o umbigo no fogão e preparar o nhoque que só ela sabia fazer.

Os convites já tinham sido formalizados, viriam para o rega bofe, a madrasta de minha mãe e conseqüentemente, minha madrinha de batismo, a irmã de minha mãe com o marido e os filhos, o João Fonseca, já citado em outras crônicas, meu pai, meu irmão, meus primos (ou será irmãos) Roberto e Sonia, a Dulce uma amiga da família, a Joana e a sua filha Viviane que moravam num quarto alugado por minha mãe, para ajudar nas contas da casa e, mais, meu querido Tio Eduardo que, por graças de todos os Santos, estava numa fase tranqüila de sua existência (era alcoólatra).

Conforme disse lá no inicio, a festança do dia 27 tinha sido brava, cheguei em casa por volta das 05:30 hs. Da matina, cai na cama e dormi como um rei.

Acordei às 11:00 hs., tomei meu café preto para espantar a ressaca, tomei uma chuveirada para tirar a "inhaca" da noite passada e, depois de vestido e devidamente perfumado, fui avisado por minha mãe de que meu pai me aguardava para uma rodada de aperitivo no bar da esquina,

Saí para encontrá-lo, não antes de ouvir todas as recomendações da minha mamãezinha com relação ao beber demais, ao não demorar muito etc. etc. e tal.

Cheguei ao bar, cumprimentei a todos e fui por todos parabenizado depois de confirmar que a rodada seria por minha conta.

Avisei ao balconista que não iria tomar a minha Piracanjuba de costume, para me precaver preferia que ele me fizesse uma caipira com Fernet e gelo.

Sentei-me na beirada do protetor do cavalete d'água aceitei o Tim-Tim de todos e tomei um pequeno gole da minha caipirinha.

Sem saber por que (até sabendo mais ou menos) comecei a suar frio e ao me levantar só consegui falar para meu velho, "pai não estou legal".

Senti-me desmoronando e não vi mais nada, acordei quatro horas depois, deitado numa cama do Pronto Socorro São Jorge que ficava na Rua da Consolação quase esquina da Av. Paulista, olhei para meu braço que doía e percebi que estava tendo uma aplicação de soro. Eu chegara ali quase com coma alcoólico originado de um pequeníssimo gole de caipirinha (!!!!!!!!!)

O almoço foi ajantarado, com o aniversariante presente, mas impossibilitado de ingerir qualquer tipo de alimento (que pena!) e com uma tremenda vontade de ficar surdo para não ouvir tantas recriminações vindas de todos os convivas, inclusive do meu querido Tio Eduardo. Pode?

Ah! Memórias etílicas que hoje não me atormentam mais…já não tomo mais caipirinhas!