Clubes

Quem participou sabe muito bem o que estou dizendo. Marcaram uma geração com seus grandes bailes nas décadas de 60,70 e 80. Eram sextas-feiras e sábados, imperdíveis e em nossas agendas, já sabíamos o dia, o clube, o traje, como também quem iria tocar!

Era uma febre! Formaturas, formandos, amigos, colegas, no colégio, na turminha da esquina, sempre "rolavam" os comentários referentes aos bailes, em tal "clube". Sempre aparecia alguém com dois ou três convites a mais, e isso era o bastante para o comparecimento.

Preparavam-se os smokings, lustravam-se bem os sapatos, e os famosos "pinho silvestre" e "english lavander" aguardavam ansiosamente expelirem suas fragrâncias. Noites de baile nos clubes eram assim!

Já na porta de entrada existia um glamour, cheiro de rosas, perfumes misturavam-se, um vai e vem de moças muito bem vestidas, com seus vestidos longos, e rapazes todos caracterizados com seus pinguins (“smokings”). Refiro-me neste momento aos clubes de São Paulo. Mas houve uma pequena particularidade que pude notar quando, convidado por duas vezes, participei de dois bailes em cidades do interior, o qual até foi motivo de comentários com um amigo.

Eu estava em uma cidade do interior, cujo baile seria no sábado a partir das 22h. É impressionante, mas entre 13h e 18h, dificilmente via-se uma moça andando pela rua! Todas praticamente estavam nos cabeleireiros se preparando para o grande evento, verdade, pude constatar esse fato por duas vezes em cidades diferentes do interior. Mas voltemos a São Paulo, é claro, completamente diferente, pois a cidade é uma megalópole e não se nota este tipo de acontecimento.

Vamos dar nomes aos bois! Clube Pinheiros, Clube “Homs”, Circulo Militar, Clube Piratininga, Aeroporto, Clube Alto de Pinheiros, Casa de Portugal, pelo menos esses eram os quais eu frequentei e muito. Descrevendo de uma maneira geral, “Orchestra” de Silvio Mazzuca, “Modern Tropical Quintet”, Os Três do Rio, “Watt 69” e tantos outros.

Aquilo era memorável! Quem viveu isso sabe o que estou falando! E olha que tinham clubes nos quais o baile ia até as 5h. Depois disso, ou era uma bela sopa de cebola no Ceasa, ou um belo “cheeseburguer” no Chivas, ou no Oregon. No dia seguinte a turma se encontrava e seguiam-se os comentários do baile. Quem dançou, quem paquerou, quem levou um "não", mas as gozações eram sempre sadias e já estávamos todos preparados para o próximo evento, caso o baile anterior tivesse sido realizado em uma sexta-feira (a gente era jovem)!

Os clubes eram devidamente enfeitados, paramentados, preparados e dava gosto chegar e se deparar com as decorações, fazia parte da festa e tudo isso causava uma sensação de ansiedade e emoção ao mesmo tempo.

Mas… Tudo passa, mas sinto-me feliz e privilegiado por ter vivido intensamente essa época. Saudosista? Sim um pouco! Saudades sim, tristeza não! Ah… Esqueci de mencionar o famoso "Lancaster", nossa, aquilo infestava os salões! “Eta tempinho bão, sô!”

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