A essa “altura” da minha vida já estava namorando há algum tempo.<br><br>Minha namorada morava em um sobradinho na Rua José Maria Lisboa – como já disse anteriormente – próximo a esquina com a Rua Pamplona.<br><br>O sobradinho – antigo – precisava mesmo de uma boa reforma e meu sogro "juntou" uma grana e começou a derrubada do romântico e lindo sobrado. Lindo porque a arquitetura do local era a marca de uma época, construído com bastante cuidado e bom gosto. Romântico porque era em seu "portãozinho" que eu namorava. Do lado de dentro, claro.<br><br>Enquanto a interminável reforma acontecia, caminhando no ritmo do "extrato bancário" do meu sogro, todos foram morar em uma casinha localizada dentro de uma “vila" maravilhosa, na mesma rua. Bastava atravessar a Pamplona e pronto! Era lá que morava a avó de minha namorada. <br><br>Era um "aperto" digno de nota. Muita gente e pouco espaço. Mas todos iam vivendo e – estejam certos – muito felizes. E eu seguia junto, como se fosse da família. Tanto é que, em uma tarde de sábado ensolarada, fui ajudar – como um futuro genro que se preza e em treinamento para "puxa saco" – na lavagem do carro de meu sogro, estacionado em frente à casinha, dentro da vila.<br><br>Era um Dauphine, imaginem. Bege e, já naquela época, "rodado" como ele só. Esfrega,esguicha, ensaboa, enxuga sempre aos olhares um tanto incomodados dos moradores da vila. Ficou um brilho. Perfumado, brilhante. Prontinho para todos saírem a passeio no sábado à noite. Para a minha alegria, claro, que teria algumas horas a sós com minha namorada.<br><br>Chegou a hora! A entrada no carro limpinho não poderia ser mais feliz. Todos acomodados e lá vai a chave no contato para a "partida". “Nhéc, nhéc, nhéc” e nada de pegar.<br><br>Nova tentativa. Nada…<br><br>Fiquei olhando de longe meu sogro sair do carro com péssimo humor e abrir a tampa do motor. <br>Caos total.<br><br>Ele havia esquecido sobre a hélice (ou polia ou "sei lá o quê") o pano usado para enxugar o carro.<br><br>Aquele pano enroscou de tal forma no sistema do pequeno motor que havia se transformado em vários trapos impedindo tudo de funcionar. <br><br>Mancada! Silêncio!<br><br>Confesso que nesse momento experimentei o paradoxo da alegria diante da tragédia.<br><br>Ufa! Ainda bem que não fui eu!