Fui morar ainda bebê na Rua Sete Lagoas, no bairro da Penha. É a primeira travessa da Avenida Amador Bueno da Veiga e termina na Rua Padre João, em frente ao antigo Ateneu Rui Barbosa. Morávamos a mamãe Antonia, meus irmãos Luiz, Ari, Penha e eu, Célia, juntamente com meus avós Manuel e Maria e a titia Luíza, que era secretária no Círculo Operário da Penha. O bairro todo a conhecia…. Era um barato!<br><br>Como nossa família era muito religiosa, desde muito cedo tínhamos de frequentar a igreja e eu, com três ou quatro anos ia todos os sábados ás reuniões na Cruzada. Essas reuniões se davam no prédio ao lado do Cine São Geraldo. Na época eu não gostava muito da obrigatoriedade, mas hoje percebo que eu curtia muito tudo aquilo… Dona Haydée, a Dona Mora, a Dona Dircinha e tantas outras pessoas que fizeram parte dessa época tão gostosa da minha vida… (mesmo que eu até então não soubesse disso).<br><br>Quando era pequena, nossa rua era bem feinha (com buracos por ser de terra) e se chamava Bela Vista. Rimos muito quando, após o asfalto, mudarem seu nome para Sete Lagoas! (até então não sabíamos que era nome de uma cidade mineira)! Quantas broncas levamos por andarmos descalços sobre o piche, ao voltarmos da escola!<br><br>As noites e os Natais são o que evocam em mim as melhores lembranças… À noite, os adultos, logo após o jantar saíam à rua para olhar as crianças e bater um papo com os vizinhos. Apesar de ser uma liberdade vigiada era uma delícia! E como brincávamos! De pega-pega, “lasca romeu”, “mãe da rua”, barra manteiga e tantas outras brincadeiras que ficaram perdidas no tempo e na memória…<br><br>Ah!E as quermesses e procissões? Como eram bonitas! Sempre acompanhávamos as procissões, portando nossa vela, com todo orgulho… Adorávamos as quermesses… A nossa avó Maria era quem fazia aquele quentão maravilhoso que todos falavam tão bem. Muita gente vinha com garrafas, até de outros bairros, só para comprar o quentão da vovó… Lembro-me bem da cena: ela abrindo o saco de papel de 5 kg de açúcar (que vinha com uma espécie de barbante como fecho) e despejando-o todinho naqueles caldeirões imensos! Gente, que época boa!<br><br>E os bailinhos, então? Na nossa rua tinha o Baile do Buraco (que levava esse nome por ser na garagem bem abaixo do nível da rua…). A minha prima Estela e eu não perdíamos um final de semana! Um ambiente gostoso, e agradável.<br><br>Os cinemas, Júpiter, Penha Pálace, Penha Príncipe… A Escola Estadual da Penha, onde estudei por alguns anos… A Turma da J.A.T.O, que era um grupo de jovens da Igreja Nova da Penha (já não era tão nova assim, mas…). Era uma delícia nos reunirmos sábado à tarde, no seminário, com o Padre Décio, para prepararmos a missa das 11 do domingo. Como era uma missa feita por jovens e para os jovens, era muito concorrida e muito linda! Tinha a Dircinha, a Denise, A Bia, O Cassiano e suas irmãs, minha irmã Penha e seu namorado, na época, o Norberto, o Zé Maria e seu irmão, a Aninha e muitos outros…<br><br>Saudades…<br><br><br><br>E-mail: [email protected]<br>